Notícias ruins não param de surgir de todos os lados. A primeira. Carlos Miguel Aidar quebrou a tradição que Juvenal Juvêncio tanto se orgulhava. E antecipou a cota que o clube receberia da TV Globo até 2018. Foram R$ 50 milhões. A revista Veja publicou ontem que o clube deve três meses de salários para Muricy Ramalho. O treinador foi perguntado ontem por duas vezes sobre a realidade da informação. Ele não desmentiu e não confirmou. "Do meu salário eu não falo." Essa ambiguidade só despertou mais a certeza que algo está errado. Se estivesse tudo em dia, por quê o treinador não confirmaria? Os R$ 80 milhões que o clube conseguiu com a venda de Lucas inflaram o balanço de 2013. Mesmo assim, o clube começou 2014 com R$ 65 milhões em déficit. A dívida do clube em agosto já estaria batendo nos R$ 100 milhões. Sem patrocínio master na camisa, sem os clássicos em que não é mandante, o clube buscava uma fonte alternativa de arrecadação. E tratou de fazer na prática o que Juvenal Juvêncio ameaçou com Ricardo Teixeira, mas havia voltado atrás quando José Maria Marin assumiu a CBF. Cobrar pelo período que a Seleção utilizou seus atletas. Quer em amistosos e mesmo competições oficiais. De acordo com o levantamento do clube, desde 1998, quando a legislação foi aprovada, o valor é significativo. São mais de R$ 20 milhões. O São Paulo já notificou a CBF há 15 dias.
A postura marca um rompimento na política de boa vizinhança com a CBF. A entidade fará de tudo para que seu departamento jurídico consiga reverter o quadro. Não quer abrir essa exceção. Marin tem a certeza que haverá um efeito cascata. Ou seja, os demais atletas que tiveram atletas convocados deverão apelar para a Lei Pelé. O primeiro parágrafo do capítulo 41 é muito detalhado. E claro. "A entidade convocadora indenizará a cedente dos encargos previstos no contrato de trabalho, pelo período em que durar a convocação do atleta, sem prejuízo de eventuais ajustes celebrados entre este e a entidade convocadora." Ou seja, a CBF deveria estar pagando os clubes desde 1998. Mas só que 16 anos depois, ninguém havia cobrado. O medo sempre foi que a entidade passasse a não convocar mais seus jogadores. O São Paulo resolveu quebrar esse paradigma. Até porque a situação no Morumbi está longe de ser confortável. Carlos Miguel ainda quer liderar os outros clubes para a formação de uma liga. Mas não quer passar por incompetente. A dívida perto dos R$ 100 milhões o incomoda. A ponto de o dirigente afirmar precisar vender dois ou três atletas importantes para equilibrar as finanças. Dentro desse quadro caótico, não quis virar as costas para os R$ 20 milhões. A CBF promete lutar para não pagar. Será um embate que pode ter consequências importantes ao futebol brasileiro. A questão juridicamente poderá levar meses. O suficiente para acabar o mandato de José Maria Marin. Ele é conselheiro do São Paulo e amigo íntimo de Carlos Miguel Aidar. A partir de janeiro quem mandará na CBF será o conselheiro do Palmeiras, Marco Polo del Nero. Aí sim a situação deverá esquentar. Com Aidar comprando de vez a briga. Ela pode até se tornar uma cisão definitiva. E criar uma razão comum a todos os clubes terem coragem e dar origem à esperada liga independente da CBF. Os primeiros passos já foram dados graças ao endividamento do São Paulo nas mãos de Carlos Miguel...
Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 25 Aug 2014 16:16:08
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