terça-feira, 26 de agosto de 2014

O centenário do Palmeiras é importante demais. Sua comemoração não pode fica ficar na dependência da boa vontade do veterano Ronaldinho Gaúcho. É pensar muito pequeno....

O centenário do Palmeiras é importante demais. Sua comemoração não pode fica ficar na dependência da boa vontade do veterano Ronaldinho Gaúcho. É pensar muito pequeno....




O Palmeiras completa hoje cem anos de uma vida repleta de glórias. Fez por merecer a alcunha de "campeão do século XX", tantos foram os títulos, as conquistas nos anos 1900. Ninguém ganhou mais no território nacional do que o clube que veste verde nos seus jogadores. Até jogou com a camisa da Seleção Brasileira no Mineirão. Honraria mais do que justa. Teve duas academias inesquecíveis, genuínas. E uma terceira montada com o dinheiro da Parmalat. Um clube assumidamente com a origem italiana conseguiu ser o quarto no Brasil em número de torcedores. Se reinventou na Segunda Guerra Mundial, mudou seu nome querido, Palestra Itália, para sobreviver. Seus dirigentes foram espertos para evitar que o São Paulo tomasse seu estádio. Sua galeria de ídolos é tão imensa quanto invejável. Ademir da Guia, Oberdan, Julinho Botelho, Edmundo, Marcos, Roberto Carlos, Luís Pereira, Rivaldo, Djalma Santos, Djalma Dias, Djalminha, César Maluco, Dudu, Jair Rosa Pinto, César Sampaio, Alex, Heitor, Mazzola, Jorge Mendonça, Evair, Servilio, Tupãzinho, Leão... O melhor time do Palmeiras que me encantou os olhos foi Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, Cesar e Nei. Ganhou tudo o que teve pela frente. Uma pena que no começo da década de 70, amistosos eram mais valorizados do que a Libertadores. Não fosse isso, as academias teriam trazido algumas delas para a sua abarrotada sala de troféus.

Os constrangimentos não chegam nem a 20% da sua maravilhosa história. O jejum de 1976 até 1993 e as duas visitas à Segunda Divisão em dez anos: 2002 e 2012. Foram momentos de sofrimento e lágrimas que humanizaram ainda mais um dos maiores clubes da América Latina. A briga para manter o estádio durante a Segunda Guerra conseguiu ser menor do que a atual. O embate entre WTorre e o clube conseguiu o absurdo de a nova arena não estar pronta em quatro anos. Hoje seria um dia obrigatório para a festa no moderno e lindo palco. Um dia Walter Torre e Paulo Nobre ou quem quer que seja presidente palmeirense farão um acordo na divisão das cadeiras. E o clube desfrutará do Palestra Itália dos anos 2000. A dívida de mais de R$ 300 milhões precisa ser resolvida. A categoria de base tem de ser levada a sério como nunca foi. As oitos famílias que disputam o poder, misturando amor e ódio, vão acabar se acertando. As organizadas vão entender que não são mais importantes que o clube. Técnicos precisam parar de mandar assessores de imprensa jogar sal grosso no gramado. Só assim para uma empresa séria voltará a pagar para estampar seu nome na nobre camisa verde e branca.

O momento atual é reversível. A história do Palmeiras mostra saídas, revoluções, reinvenções. O que não tem cabimento é em uma data tão importante, tão marcante...Com um estádio estalando de novo para ser inaugurado, um jogador rouba a cena. Ganha mais espaço na mídia do que o centenário palmeirense. Um atleta que o presidente fez questão de confidenciar a amigos e eles espalharam para os jornalistas amigos. Pela terceira vez, o Palmeiras fica de joelhos para Ronaldinho Gaúcho. Desta vez aos 34 anos. Negocia com o instável Assis. O mesmo que virou as costas para o clube em 2011 e 2012. Nem mulher de malandro é tão persistente. O bilionário presidente que já emprestou R$ 125 milhões a 1% de juros ao ano para o Palmeiras quer. Entendeu que o anúncio da equivalência da Taça Rio de 1951 a um mundial de clubes não anima ninguém. Buscando, desesperado, a reeleição, Nobre quer Ronaldinho. Entre as exigências que vazaram, o veterano jogador quer R$ 600 mil, parte da arrecadação das partidas em que estiver. E o número 100 nas costas.

O próprio Nobre negocia com Assis. Afastou o seu mentor Brunoro. Conselheiros perceberam o que está ocorrendo. Quer que a "vitória" seja sua. Seu grande desejo é anunciar a contratação hoje no banquete do centenário no Citibank Hall. A R$ 1.200,00 por cabeça. O sonho é com a presença do meia que foi melhor do mundo por duas vezes. O dirigente adora que figuras importantes coloquem a camisa do Palmeiras. Como fez com a própria presidente Dilma. Por trás de tanto glamour, se a contratação for efetivada, o desejo é um só. Ronaldinho ajudaria o clube a não ser rebaixado. Sua missão estaria mais do que cumprida até o final do ano. Com a possibilidade de ir atuar na liga norte-americana ou na periferia do futebol pelo mundo. Nos grandes clubes da Europa ele não pisa mais. Essa situação constrange. A comemoração, a festa, o orgulho do centenário passa a ser um "sim ou não" dos Moreira Brothers. Se a contratação se efetivar já será muito questionável. Ronaldinho Gaúcho não se leva a sério mais como jogador desde a conquista da Libertadores com o Atlético. O último ano foi uma sucessão de farras, festas e péssimo futebol. Kalil acertou sua saída sem um pingo de dor no coração.

Agora, se pela terceira vez, ele disser não ao Palmeiras será terrível. O centenário ficará com o gosto de mais uma derrota, especialidade dos últimos dirigentes incompetentes que passaram pelo clube. Desde a saída da Parmalat tem sido assim. O que já era garantia de uma grande e história festa virou a expectativa da vinda ou não de um jogador. É vexatória a maneira amadora como o Palmeiras vem sendo administrado nestes anos 2000. Quase faz esquecer tudo o que aconteceu desde 1914. "O palmeirense é um tipo muito esquisito. Não importa tudo o que consiga ganhar. Só consegue se lembrar das derrotas. É uma raça que gosta de sofrer. Não sei porque somos assim", desabafa Marcos, o ídolo mais sincero desse glorioso clube que se veste de verde...




Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 26 Aug 2014 09:49:25
Ler mais aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário