segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias...

Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias...




"O Ganso é genial. Se ele for competitivo durante os 90 minutos, ele é jogador do Real Madrid e Barcelona. O talento dele ninguém tira. Precisamos provocar a competitividade nele. Fazer ele se mover dentro de si." As declarações são de quem conhece profundamente Paulo Henrique. O jogador que está no seu dia-a-dia. E não se conforma com tanto talento desperdiçado por falta de garra, da vontade básica de qualquer atleta: competir, lutar, suar pela vitória: Rogério Ceni. Sem querer, o maior ídolo de todos os tempos do São Paulo expõe a maior dúvida que atormenta Dunga. Dar ou não dar uma chance real para o talentoso paraense? Justo agora que o treinador da Seleção já escancarou o novo perfil do time que formará para José Maria Marin. Dunga quer o Brasil mais competitivo possível. Montar uma equipe aguerrida, veloz. Com jogadores brigando a todo o instante por um centímetro a mais de espaço. Com poder para atacar em bloco e recompor com consciência e vigor sem a bola. Tudo o que não combina com a maneira de Ganso jogar. "O Ganso é muito talentoso, mas por vezes parece um meia clássico dos anos 70. Daqueles que jogam em uma velocidade abaixo da correria atual. Que tem prazer e capacidade para fazer o que quiser com a bola. Adora colocar os companheiros na cara do gol. Mas não luta, não marca, não vibra. Deixa isso para os companheiros. Isso era ótimo quando os volantes eram volantes e os meias eram meias, como no meu tempo. Agora o futebol mudou. Todo mundo cobra maior participação, competitividade. E isso não está nele. Não é que ele seja frio. Apenas tem o jeito dele. É isso que as pessoas não entendem." A análise foi feita para o blog por quem viveu uma situação muito parecida. Ademir da Guia, o maior camisa 10 da história do Palmeiras. Mesmo na década de 70, "quando os meias eram meias e os volantes eram volantes", Ademir foi injustiçado. Principalmente na Seleção Brasileira. O motivo era sua aparente passividade, falta de vibração. Ninguém ousava questionar o seu talento. Apenas a sua falta de envolvimento emocional no jogo. A cobrança hoje para Ganso vai muito além. Marcar um gol maravilhoso como o que fez ontem contra o Santos, dar chapéus, dribles e enfiadas de bola desconsertantes aos atacantes é só metade do caminho. Se quando o São Paulo é atacado, fica parado na intermediária adversária, assistindo a partida é um importante atleta a menos atrás da linha da bola. Ou ainda pior. Quando qualquer treinador medíocre faz o óbvio e coloca um volante para marcá-lo o campo todo, Ganso não pode aceitar a marcação. Precisa correr o dobro do que faz. Se deslocar às laterais, se embolar com os atacantes, driblar, tabelar. Enfim, comprar a briga. Ter sangue nas veias e saber o quando o futebol é competitivo atualmente. Se nasceu na época errada, o problema é dele.

Todo treinador que já teve a oportunidade de trabalhar com Paulo Henrique passou muita raiva. Há um inconformismo enorme pela maneira com que o jogador conduz a sua carreira. "No dia em que o Ganso vibrar, competir vira titular absoluto da Seleção. E os grandes clubes da Europa vão fazer fila para tentar contratá-lo. Ele sabe disso. Eu mesmo já cansei de dizer isso para ele." Essas declarações são de Dorival Júnior, treinador com quem o meia fez muito sucesso em 2010. A ponto de ser muito mais cobrada a sua convocação de Dunga do que a de Neymar, na época. Ganso perdeu tempo em relação a onde poderia estar nestes quatro anos. O São Paulo é um dos grandes clubes do país. Mas seu potencial técnico poderia tê-lo levado ao Real Madrid ou Barcelona, como avalia Rogério Ceni. Perdeu oportunidades de ouro. Como na Olimpíada de 2012. Ninguém me falou. Eu pude acompanhar a preparação e todos os jogos do time olímpico de Mano Menezes em Londres. O treinador ficava constrangido e com muita raiva. Cobrou, deu bronca, xingou, incentivou, fez de tudo para tentar fazer o meia vibrar com a camisa da Seleção. Ele vinha de uma artroscopia. Em menos de 15 dias atuou pelo Santos contra o Corinthians, na semifinal da Libertadores. O que foi enorme erro. Não jogou bem. E mais, ficou traumatizado, com medo de nova lesão no joelho. Foi assim que chegou em Londres. O medo era tanto que não tinha confiança nem em chutar forte ao gol. Foi um fantasma na Olimpíada. Mano cogitou cortá-lo. Mas não queria aumentar o clima de tensão que já era forte com o corte do goleiro Rafael. O meia virou mero fantasma em Londres. Lamentável. O episódio ainda está muito fresco na memória de muita gente na CBF. Paulo Henrique terá de mostrar uma frequência de boas partidas como nunca fez. Parar de tanta instabilidade para poder sonhar com Seleção, com grandes clubes europeus. Vale lembrar que mesmo tendo se submetido a quatro cirurgias nos dois joelhos, o meia não tem qualquer dificuldade física. Sua recuperação física foi perfeita. Muricy já quase perdeu a voz de tanto insistir para ele atuar mais perto da área adversária. Ter coragem de chutar para o gol. "Eu tenho mais prazer em dar um passe para o meu companheiro marcar do que eu mesmo fazer o gol", assume o jogador para a imprensa e para o próprio técnico.

Mas o treinador do São Paulo foi duro com ele. Invocou o fato de estar casado, querer um futuro melhor para a sua família, fazer história como atleta. O meia de 24 anos recebe R$ 300 mil e tem contrato com o São Paulo até 2017. Começou no Santos ganhando o mesmo que Robinho. Hoje o atacante ganha cerca de R$ 4,5 milhões mensais no Barcelona. E é a principal estrela da Seleção. Paulo Henrique ficou muito para trás. "Talento o Ganso tem de sobra. É um craque. Basta agora de uma vez por todas ele querer mais. Ainda dá tempo para fazer o que quiser com sua carreira. Orientação ele teve e tem até de sobra. Eu mesmo encho o saco dele falando tudo o que pode fazer. Nada do que ele aprontar em campo vai me surpreender. Lógico que ele tem espaço na Seleção ou em qualquer clube do mundo. Mas existem coisas que dependem só do jogador", desabafa Muricy. E infelizmente com Ganso, ninguém pode garantir nada. Tudo de bom que ele fez ontem no clássico contra o Santos pode ter sido apenas mais uma miragem, uma demonstração do que pode fazer. E infelizmente não há sequência por pura falta de competitividade no coração, na alma. Isso ninguém pode colocar...





Fonte: Esportes R7
Categoria: formula-1
Autor: cosmermoli
Publicado em: 25 Aug 2014 11:44:35
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