São Paulo. Cidade mais rica e mais desenvolvida da América Latina. Mas nada disso importa em relação ao Itaquerão. A arena que sediou a abertura da Copa do Mundo prova a selvageria de quem habita por aqui. E também atesta a incompetência de sua polícia e dos dirigentes corintianos. Ambos estão de braços dados nesta derrota histórica. Os selvagens e vândalos venceram. O presidente Mario Gobbi mandou divulgar. A partir de domingo não haverá mais cadeiras nos setores onde ficam as torcidas organizadas. Não só as visitantes, mas também as do próprio Corinthians. Eles terão de acompanhar as partidas em pé. Um passo atrás na modernidade. Tapa na cara de quem acreditava que as novas arenas da Copa serviriam para trazer conforto ao torcedor. A direção corintiana discutia esse assunto há muito tempo. Temia a repercussão. O vexame. Mas se rendeu diante da realidade atual do Brasil. A Polícia Militar avisou que não teria como se responsabilizar pelos dois mil são paulinos. Se eles quisessem quebrar as cadeiras onde ficariam, não haveria como impedir. Nem deter todos para descobrir quem danificou ou não as cadeiras reservadas a eles. O pior é que Gobbi teve de admitir que as organizadas do próprio Corinthians estavam quebrando cadeiras do Itaquerão. Torcedores já estavam acostumados a acompanhar os jogos de pé, em cima das frágeis cadeiras. Não só assistiam aos jogos, como pulavam, cantando. Várias e várias quebraram desde que o Itaquerão foi liberado para o clube após a Copa. O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, era o administrador do Itaquerão. Já havia chegado à conclusão que o melhor seria tirar as cadeiras das organizadas. Mas pediu que esperasse deixar o cargo para que a medida fosse tomada. Não queria perder prestígio com os torcedores. Ele é candidato a deputado federal pelo PT. E apoiado pelas chefias das organizadas corintianas. O Itaquerão já foi palco de seu primeiro clássico. O jogo foi entre Corinthians e Palmeiras. Os palmeirenses quebraram, muitos de propósito. Foram 258 cadeiras no total. O prejuízo de mais de R$ 45 mil foi assumida pelo clube rival. Mas o desgaste, a exposição do estádio foi enorme, desnecessária.
As cadeiras estão saindo para não mais voltar. Dirigentes corintianos usam a esfarrapada desculpa que o Borussia Dortmund faz a mesma coisa. Em seu estádio, as organizadas ficam em pé. Basta pensar nos estádios mais modernos do mundo. Não há mais lugar para acompanhar partidas em pé. A Fifa proíbe na Copa do Mundo. Nos países fica a critério de cada confederação. A iniciativa corintiana tem tudo para provocar um efeito cascata. A ideia já chegou à cúpula do Palmeiras, da W. Torre. Dependendo do que acontecer no setor dos visitantes, a situação pode ser imitada. Assim como também no Morumbi. Na Vila Belmiro não há esse problema. Lá seriam necessárias picaretas, já que o Santos oferece arquibancadas de cimento frio para os visitantes. A diretoria do Corinthians reconhece publicamente que perdeu. Tirou as cadeiras. Assim como também não há torneiras nos banheiros. A situação remete à uma piada popular. Com raiva do amante da esposa, o marido traído destrói a cama nova onde foi enganado. Não foram só o Corinthians e a Polícia Militar os derrotados hoje. Perde a civilidade. De que adianta ser a cidade mais rica e desenvolvida da América Latina se não sabe enfrentar seus vândalos, seus criminosos? O certo seria processar e prender quem danifica o patrimônio particular. Mas falta competência. São Paulo protagoniza mais um vexame no Brasil. País onde privada em estádio de futebol é arma mortal...
Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 19 Sep 2014 15:28:17
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