Há exato um ano, a manhã começava com uma grande novidade no futebol brasileiro. Mano Menezes havia demitido o Flamengo. Depois de uma goleada por 4 a 2 diante do Atlético Paranaense, na noite anterior. Em pleno Maracanã. Foi a senha. O Parque São Jorge se agitou. O prestígio de Tite estava caindo na diretoria. Principalmente com Mario Gobbi. Ele sonhara com o bi da Libertadores, em ganhar outra vez o Mundial no Japão. E viu suas expectativas se desfazerem rapidamente. A desilusão com Tite já havia nascido na resistência do técnico à contratação de Pato. Gobbi havia combinado com a cúpula da Nike. O Corinthians, se campeão mundial, teria uma grande estrela internacional para vender camisas. Confirmado o título, veio o midiático namorado da filha de Silvio Berlusconi. Acabou de imediato o motivo de comemoração de Adenor. Ele é comprometido demais com os elencos vencedores. Se já foi apaixonado com o Grêmio, vencedor da Copa do Brasil, 2001, tinha laços de sangue com o time campeão da Libertadores e Mundial. Ele mais do que ninguém considerou a chegada de Pato uma traição aos seus jogadores. O time já estava arrumado. Principalmente o ataque. Ele não queria mudar. Mas teria. Como barrar Alexandre Pato, comprado a peso de ouro por R$ 43 milhões? Pois Tite enfrentou Gobbi. Não deu moleza ao então genro do ex-primeiro ministro italiano. O banco virou seu companheiro para desespero da direção corintiana e da Nike. Como vender camisas de um mero reserva? A relação do treinador e do presidente apodreceu rapidamente. Só o vice de futebol, Roberto de Andrade, continuava ao lado de Tite. Ele sabia o quanto o clube havia sabotado as chances de Adenor chegar à Seleção. Gobbi avisou Marin que não liberaria o treinador. Compraria uma briga pública. Isso teve um peso. Apesar de Marin ter Felipão como primeira opção, não gostou da insurgência corintiana. O que só aumentou a rejeição a Adenor, já grande por causa da amizade com Andrés Sanchez. Chegou o mês das noivas no ano passado. E com ele, o Boca Juniors e o juiz paraguaio Carlos Amarilla. O Corinthians de Tite foi absurdamente prejudicado. Mas na prática, o resultado não deixava dúvidas. Acabaram os sonhos de nova conquista de Libertadores e de Mundial no Japão. Gobbi foi tomado por grande ira. Desde a renovação de contrato de Sheik, não forçar a venda de Paulinho para a Inter de Milão em dezembro de 2012 e, claro, ver Pato no banco. Tudo se voltou contra Tite.
Não era só a Gaviões que cantava o mantra "a Libertadores é obrigação". O presidente também insistia que era o mínimo que Tite poderia oferecer ao final do ano. Mas o time não conseguia reagir. O treinador não se preparou para a perda de Paulinho, volante que vivia a melhor fase de sua carreira. Ele tinha quatro funções na equipe de Adenor. Marcava, articulava, surgia como elemento surpresa para bater a gol e ainda era a melhor opção aérea em bolas paradas. Além disso, depois de três anos, para Gobbi, Tite havia se acomodado e perdido a gana com a efetivação de Felipão na Seleção. Foi quando Mano se cansou do elenco fraco do Flamengo. Ele e seu empresário Carlos Leite perceberam o quanto estavam regredindo na carreira. O fracasso na Seleção já havia sido um baque enorme. O possível rebaixamento com o time mais popular do Brasil seria um caos. Depois da derrota por 4 a 2 para o Atlético Paranaense, Mano resolveu abandonar tudo. Pagou do próprio bolso R$ 400 mil para deixar a Gávea. A partir do dia 20 de setembro de 2013, a rotina de Tite mudou. Ele percebeu que a sombra de Mano Menezes cresceu de forma incrível, insuportável no Parque São Jorge. Jornalistas foram bombardeados de informações vindas de conselheiros da situação. Já estava decidido: o reinado de Adenor acabaria em 2014. Tite procurou a confirmação com Gobbi, mas ouviu que ainda não havia nada definido. Naquela época, Gobbi e Andrés estavam muito unidos. O presidente ouvia seu mentor. Principalmente nas grandes decisões no futebol. Sanchez tinha uma dívida com Mano. Ele o havia colocado na Seleção, garantido que disputaria a Copa do Mundo de 2014. Não iria prever que seu protetor, Ricardo Teixeira acabaria tendo de se exilar, pressionado pela Fifa, graças ao escândalo da ISL. Andrés acompanhou de perto sua desventura no Flamengo. Ele decidiu que seria a hora perfeita do retorno ao Corinthians. Sugeriu o nome a Gobbi e ficou tudo certo.
Os últimos três meses de Tite no Corinthians em 2013 foram lamentáveis. Ele agia como um zumbi. Abatido por ver seu sonho de Seleção ter escapado, assim como a Libertadores, o Mundial. E ainda tinha certeza que o cargo já era de Mano Menezes. O vice Roberto de Andrade ficou constrangido como a situação foi conduzida. Ele e o diretor Duílio Monteiro Alves acreditavam que Tite mereceria mais respeito. O treinador conquistado a desejada, inédita Libertadores ao clube. Além disso, os dois se sentiram desmoralizados ao serem apenas notificados que a decisão estava tomada. Mano comandaria o time em 2014. Por isso os dois se afastaram do Corinthians. Tite ficou muito magoado com Mano. Deixou o Corinthians certo que já havia acertado desde setembro sua volta ao Parque São Jorge. Situação que ele nunca perdoou. Na sua despedida do Corinthians, Roberto de Andrade o procurou e deixou claro que a decisão não havia sido dele. O técnico soube que foi Gobbi e Andrés que optaram por sua saída. Mano sempre jurou ter fechado seu retorno depois que o clube anunciou a não renovação com Adenor. Exatamente um ano depois, a situação é exatamente a inversa. Mano Menezes tem a certeza que não irá continuar no Corinthians em 2014. E que Tite já acertou seu retorno com Roberto de Andrade, favorito a substituir Gobbi a partir de fevereiro de 2015. Agora a amargura domina não só o pragmático técnico como seu empresário Carlos Leite. Pressionado, Luís Antônio vem tomando decisões que só aceleram o processo de sua rejeição no Parque São Jorge. Gobbi teve taquicardia. Não acreditou ver Mano jogando a toalha, abrindo mão do título do Brasileiro. E publicamente, depois do empate com a Chapecoense no Itaquerão. Os torcedores já estão fugindo do estádio, ficaram mais desestimulados ao saber que o Corinthians não pode ser campeão, nas palavras do seu próprio técnico.
Para desviar o foco dos seus frustrantes empates, Mano tenta desviar o foco. Invoca a derrota do time do amigo Muricy Ramalho. Provoca revolta no São Paulo. Mas sua postura é lamentada dentro da própria diretoria corintiana. A atitude foi deprimente, pequena. Tite é muito leal com amigos. Duro, porém, com os inimigos. Chegou a hora do troco e ele não está poupando Mano. Deu inúmeras entrevistas nestes dias. Seu objetivo. Mostrar que está pronto para voltar a trabalhar. Afirmou sem meias palavras que gostaria de retomar seu ciclo no Corinthians. Guardou essa afirmação para a Folha de São Paulo. Falou sabendo que suas palavras repercutiriam no Parque São Jorge. Pressiona de vez o técnico rival para o clássico contra o São Paulo, na sequência do Brasileiro e na Copa do Brasil. Depois de um ano, Mano sente a estocada. No clube todos sabem que Tite é o treinador de Roberto de Andrade. Gobbi não pode fazer nada. Apenas assegurou a Mano que o cargo é dele até o final de seu mandato. Mas Carlos Leite sabe ser uma bobagem manter seu contratado até fevereiro. O melhor será acertar a saída em dezembro. E começar o ano em outro clube, com direito a montar novo elenco. A situação é tão constrangedora como há um ano. Aliados de Roberto de Andrade asseguram que nem o clube vencer a Copa do Brasil, o cargo continuará com Mano. Assim como aconteceria em 2013, com Mano. Conseguir vaga na Libertadores virou mera obrigação burocrática. O atual treinador corintiano perdeu a proteção de Andrés. Ele se afastou de Gobbi e está preocupado com sua campanha para deputado federal. Luiz Antônio está desprotegido, pressionado, tenso. Exatamente com Adenor no dia 20 de setembro de 2013. A vingança realmente é um prato que se come frio. Gelado...
Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 20 Sep 2014 10:49:18
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