"São-paulinos, infelizmente, parece que meus temores se concretizaram. Não há dúvida de que a lambança do senhor Aidar e dos dirigentes do São Paulo está se refletindo na comissão técnica e no time. Ontem, o São Paulo foi completamente diferente do Guerreiro São Paulo do jogo contra o Cruzeiro. Entramos com a pressão de vencer, de não poder falhar em nada e ainda com desfalques importantes como o de Rogério Ceni e Kaká. Mais uma vez a ausência de um dos integrantes do quarteto ofensivo volta a me preocupar: se dependermos da formação completa para vencer, não estamos preparados para a liderança. Apesar da qualidade que Michel Bastos vem apresentando, Muricy ainda não encontrou um substituto à altura de Kaká e, saber que o meia será desfalques em outros jogos é alarmante. Outra preocupação constante vem sendo nossa zaga, que ontem teve uma atuação fraca, insegura e completamente atrapalhada - pontos que o adversário soube usar a seu favor para disparar os 3 gols. A distância para o Cruzeiro voltou a ser grande e, para completar, o próximo domingo nos reserva uma partida difícil contra o Corinthians no Itaquerão e o quarteto ofensivo estará novamente desfalcado. No momento, só espero que os cartolas se entendam e a paz volte ao nosso São Paulo, e que o time volte a brilhar." O texto do empresário Abílio Diniz reflete o medo de inúmeros conselheiros no Morumbi. Que a briga entre Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio reflita dentro de campo. Ela explodiu, selvagem e irracional, no melhor momento do time no Campeonato Brasileiro. Na véspera do jogo contra o líder Cruzeiro. O time de Muricy Ramalho se impôs, venceu por 2 a 0 no Morumbi. O clube ficou a apenas quatro pontos do primeiro colocado. Mas isso pouco importou. Na segunda-feira, Juvenal foi ao Fox Sports e destilou seu ódio a Aidar. Foram deprimentes as afirmações. "Ele (Carlos Miguel) é um imbecil. Estou arrependido até a morte (por ter apoiado a sua eleição). Foi o pior ato que já fiz na vida. Ele vai no clube e a mulher do sorvete fala: "E aí, senhor Juvenal?", ele fica louco. Como vou tirar um cara desses? Vai dar trabalho. São dois anos e meio." Assim, sem meias palavras, Juvenal garantiu no ar e fora dele, a conselheiros aliados. Fará de tudo de tirar Carlos Miguel do cargo. Tornar a sua vida um inferno enquanto for presidente do São Paulo. O ex-presidente não se conforma de ter sido demitido por ele do comando da categoria de base, sediada em Cotia. E ainda espalhar que deixou o clube endividado. Para desmoralizá-lo garante que distribuía talões de convites para conselheiros nos shows do Morumbi e pagava premiações aos jogadores em dinheiro, dentro de "saquinhos de pão". O futebol já começou a ser afetado. Juvenal continua mandando recados a Muricy. Diz para não confiar em Carlos Miguel e no seu vice Ataíde Gil Guerreiro, homem que está ocupando o cargo que era do ex-presidente na base.
Na primeira sequência de derrotas, Juvêncio garante que os dois demitirão o treinador. Antes, porém, alvo inicial deve ser seu auxiliar, Milton Cruz. Homem de total confiança de Juvenal. Está trabalhando como auxiliar técnico desde 1989. Juvenal garante que qualquer desculpa que ele der, perderá seu emprego. O ambiente é de insegurança no elenco. Rogério Ceni é ligado umbilicalmente a Juvenal. Cansou, em véspera de eleição, de usar camisa amarela. Era o recado interno aos conselheiros, que ele estava com a chapa amarela de Juvenal. Muito se comenta que o goleiro ficou muito desapontado como o ex-presidente foi tratado. Rogério conhece bem de perto o drama de Juvenal. Aos 82 anos, ele está lutando contra um câncer de próstata. E deixou o tratamento várias vezes para trabalhar na campanha de Aidar. A derrota do São Paulo contra o fraco Coritiba foi um banho de água fria no clube. Os três pontos que o time havia conseguido descontar do Cruzeiro de nada valeram. A distância entre os dois voltou a sete pontos. Carlos Miguel havia viajado com elenco para "blindar" o time e a Comissão Técnica. Mostrar que está "tudo bem" no São Paulo com a demissão de Juvenal. Viajou à toa. A derrota por 3 a 1 só serviu para preocupar e dividir ainda mais os conselheiros do clube. É nítido o racha. Quem está do lado de Juvenal e quem apoia o presidente.
Aidar mandou os jogadores não tocarem no tema. E Muricy também foi aconselhado a não entrar nesta "briga de cachorro grande". Na prática, todo o entusiasmo do time depois da vitória contra o Cruzeiro, desapareceu. Há insegurança e tensão na véspera do clássico contra o Corinthians no Itaquerão. Embora não pertença mais à diretoria, Juvenal Juvêncio já garantiu a seus pares que frequentará mais o Morumbi do que nos seus três mandatos seguidos como presidente. Tem como objetivo da sua vida tirar Carlos Miguel Aidar do poder. Ou tornar o clube ingovernável. Sua meta inicial é barrar a reforma do Morumbi, sonhada pelo atual presidente. Qualquer manobra política de Aidar estará marcada. A começar pela vontade que tem de mudar o estatuto do clube. É preciso de 75% de quórum no Conselho Deliberativo para votação de projetos, como a reforma do estádio. Quando ela estiver na pauta, Juvenal garante que conseguirá esvaziar o CD e evitar sua aprovação. Os amigos de Juvenal garantem que há anos não o encontram tão determinado. Travar a administração Aidar virou o objetivo de vida do ex-presidente são paulino. Carlos Miguel garante estar preparado para a guerra. Os conselheiros já se dividem. Emissários de Juvenal já conversam com aliados de Kalil Abdala. A intenção é criar um bloco contra o atual presidente. Emperrar as votações no Conselho Deliberativo. Esse clima bélico atinge o time. Trava a preparação para o jogo com o Corinthians no Itaquerão. Pior para Muricy e seus jogadores. Eles já começam a sentir os reflexos dessa guerra de egos. A sensação que fica é a de que, para Juvenal e Aidar, o time que representa o São Paulo Futebol Clube é a última das preocupações...
Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 18 Sep 2014 16:27:00
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