"CBF, você é uma vergonha! Vergonha! Vergonha! Vergonha!" Foi assim que Sheik celebrou seu segundo amarelo e o cartão vermelho que recebeu em seguida do árbitro Igor Junio Benevenuto, ontem no Maracanã. Já no primeiro amarelo, havia desabafado às câmeras. "CBF, esse cartão é para você." No vermelho, não teve dúvidas. Sabia muito bem o que fazia. Caminhou em direção à câmera da TV Globo e fez o desabafo. Em seguida, xingou Igor. "Safado, sem vergonha, você é um merda, vagabundo, não apita nada!" O árbitro relatou as ofensas na súmula. Além do ataque inusitado à CBF. O que fez Sheik tomar essa atitude? Ele soube que estava marcado pelos árbitros. Seu comportamento desleal com os adversários e desrespeitoso com os juízes teriam sido responsáveis por um relatório da Comissão da Arbitragem. E os árbitros deveriam tratá-lo com rigor. Sheik quando soube disso se sentiu perseguido. E ontem desabafou. Emerson deverá tomar uma suspensão exemplar. A procuradoria do STJD vai indiciá-lo. Pelas ofensas ao juiz e pelo ataque, via tevê, à CBF. O medo dos presidentes José Maria Marin e Marco Polo del Nero é quem a postura do atacante vire moda. E desmoraliza a entidade que controla o futebol brasileiro. A pressão nos bastidores por um punição pesadíssima será enorme. Mas é bom separar as situações. Que a CBF tem uma postura vergonhosa em relação ao futebol brasileiro isso é claro. Reacionária, atrasada, centralizadora, manipuladora. Vários e vários adjetivos pejorativos cabem à entidade. Sheik e qualquer jogador têm todo o direito de mostrar o que pensa sobre ela. Estamos em um país democrático. Mas é impossível defender cegamente o atacante botafoguense. Aos 36 anos, Emerson sabe que é o jogador mais talentoso do Botafogo. Poderia estar atuando no Corinthians. Bastasse se dedicar mais à profissão. A diretoria não decidiu renovar o seu contrato e depois emprestá-lo ao clube carioca por acaso. Longe disso. A renovação aconteceu porque ele foi fundamental na conquista da Libertadores. Desde então acabou se deixando levar por uma vida desregrada que não combinava com a de um atleta. A ponto de a direção corintiana o emprestá-lo, pagando metade do seu salário, ao Botafogo. No clube, atolado pelas dívidas, Sheik mostrou muita habilidade com a bola nos pés e companheirismo. Já milionário, ele empresta dinheiro a vários jogadores sem salários. Até funcionários do clube ele ajuda. É adorado no Botafogo. Tem a coragem de reclamar, cobrar os dirigentes pela falta de pagamentos. Até aí, postura exemplar. Só que dentro do campo, Emerson deu para ser maldoso. Em várias divididas, ele tem chegado atrasado. Feito faltas violentas, cabíveis de cartão. O problema é que, irritado, passa a cobrar, xingar os árbitros. A situação que já estava ruim ficou insustentável quando ele soube do tal relatório. Se sente perseguido pela CBF. Daí sua reação de ontem.
O relatório de Igor foi pesado, como se esperava. "Expulsei aos quatorze minutos do segundo tempo de partida o atleta de número 7, sr. Márcio Passos de Albuquerque, ao receber uma segunda advertência na partida, por atingir com um chute na altura da coxa direita de seu adversário de número 8, na disputa de bola. Cumpre informar que o referido atleta havia sido advertido anteriormente por reclamação ao proferir as seguintes palavras a mim: "Apita essa porra!". Após ser expulso, o mesmo veio em minha direção e proferiu as seguintes palavras: "Safado, sem vergonha, você é um merda, vagabundo, não apita nada!". Informo ainda que ao se retirar de campo, o mesmo foi em direção à câmera de TV e proferiu as seguintes palavras: "A CBF é uma vergonha, uma vergonha!", fato observado e relatado a mim pelo quarto árbitro da partida, sr. Raphael Silvano Ferreira Silva, que estava próximo ao referido atleta." Igor teve uma arbitragem problemática. Expulsou três jogadores do Botafogo. Mas xingar o juiz e ironizar a CBF só deixará tudo pior para o Botafogo. O clube não consegue sequer pagar seus jogadores em dia. E está na zona do rebaixamento do Brasileiro. Ter atletas importantes suspensos só deixará a Segunda Divisão mais perto.
Emerson pode se preparar para uma longa suspensão. Ele tem contra si, atos cometidos no passado. A começar por sua falsidade ideológica. A começar pelo nome. Se chama Márcio. Mas quando falsificou seus documentos para diminuir a idade, mudou para Emerson. Nasceu em 6 de dezembro de 1978. Alterou para 6 de setembro de 1981. Até o local foi modificado. Da maternidade São José, no Rio, para Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Foi detido no Catar, quando a falsificação dos seus documentos foi descoberta. Foi condenado por fraude a três anos e nove meses de reclusão. Mas sua pena foi diminuída para um ano e meio de prestação de serviços comunitários e R$ 70 mil de multa. Depois se envolveu em um escândalo com Diguinho, com direito a acusação de contrabando e lavagem de dinheiro. Sheik ainda se envolveu em outras polêmicas. Quando foi mandado embora das Laranjeiras por cantar o funk "Bonde do Mengão", música em homenagem ao Flamengo. Resolveu cantar dentro do ônibus do Fluminense. Depois provocou o clube carioca ao conquistar o título da Libertadores pelo Corinthians. No Parque São Jorge destratou Tite, responsável por sua renovação. Se negou a cumprimentá-lo ao ser substituído contra o Coritiba no Pacaembu. Tentando desviar o foco, resolveu beijar na boca um amigo, dono de restaurante. E divulgar a foto como um protesto contra a homofobia. Acabou por selar sua sorte no Parque São Jorge.
A diretoria ficou revoltada. O presidente Mario Gobbi permitiu que as chefias das organizadas se trancassem com o jogador na concentração do clube. Para não apanhar, Sheik teve de se desculpar e jurar que não era gay. Teve de assumir ter dito a frase "não sou são paulino" para acalmar os torcedores. Foi despachado do Corinthians para o Botafogo sem remorso dos dirigentes. Tudo que já fez de errado na vida, pesará contra Sheik. Sua punição deverá ser exemplar no STJD. A CBF mostrará que não deverá ser ofendida. Ainda mais nas câmeras da parceira TV Globo, para milhões de pessoas ouvirem. Havia outra maneira de Emerson se defender. Convocar uma coletiva assim que soube do suposto relatório dos árbitros. Ele errou feio ao dar entradas violentas nos jogadores do Bahia. Depois de marcar dois gols, caçou sua expulsão. O desabafo de Sheik contra a CBF é algo que todo o brasileiro com dois neurônios entende como justo, válido, legítimo merecido. Mas não depois de dar dois pontapés em companheiros de profissão. Emerson tem todo o direito de protestar. Mas não pode ser endeusado pelo que fez ontem. Os cartões foram merecidos. Deveria ter avisado que estava sendo perseguido antes da partida. Com mais essa expulsão e a certa suspensão, tudo o que Sheik conseguiu foi prejudicar ainda mais o combalido Botafogo. E dar razão àqueles que o perseguem. Era tudo o que seus algozes queriam...
Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 18 Sep 2014 09:58:09
Ler mais aqui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário