Os conselheiros mais próximos prometiam a jornalistas. "Ele vai chocar o cenário político nacional. O Lula não é burro. Primeiro ele ganha como deputado federal pelo PT. Depois, vai brigar pela prefeitura. Para mostrar que ele tem a força da nação corintiana na mão. Afinal, ele conseguiu o nosso estádio depois de cem anos. Ele vai conseguir um milhão de votos, no mínimo. Depois? Sai da frente." Ouvi essa promessa de um dos grandes parceiros de Andrés Sanchez há cerca de dois meses, logo depois de ele se afastar da administração do Itaquerão. O fracasso na conquista de uma empresa que arcasse que com os R$ 300 milhões por dez anos de naming rights do estádio. Gastou cerca de R$ 150 mil em viagens que não deram em nada. Foram três anos de frustração. E sofria ainda o desgaste com as organizadas, revoltadas com o alto preço dos ingressos. Continuar seria perder o apoio dos corintianos. Tinha de cuidar da campanha. Buscar o tal um milhão de votos. Ou quem sabe ser o deputado federal mais votado da história...
O ex-presidente corintiano realmente conseguiu se eleger deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores. Mas o resultado foi um desastre se um dia ele sonhou com um milhão de votos. De nada adiantou ser "o melhor presidente da história do Corinthians", segundo seus aliados. Nem ser apadrinhado por Lula. Não conseguiu sequer 18% do milhão de votos que seus parceiros mais próximos sonhavam. Ficou atrás de Celso Russomano, Tiririca, Marcos Feliciano, Baleia Rossi e outros. Andrés ficou apenas em vigésimo lugar com 169 mil votos. O resultado mostrou que ele não é tão bom de votos como sonhava a cúpula do PT. Muito pelo contrário. Para quem tem tanto espaço nos veículos de comunicação, foi frustrante. Uma lição que o torcedor sabe separar o político. Com tão poucos votos, a eleição de Andrés deverá refletir até na briga pela sucessão de Mario Gobbi no Corinthians. O estranho apoio do maior líder da oposição à sua candidatura, Paulo Garcia, chocou muita gente no Parque São Jorge. O milionário deu mais de R$ 55 mil para a campanha do rival histórico. O candidato natural da situação do Corinthians, Roberto de Andrade não se pronunciou. Mas estranhou a ligação no pleito de hoje. Há a preocupação se Andrés deixará de apoiá-lo. Na verdade, Andrés Sanchez pode ter conseguido se eleger. Mas é uma vitória vazia, de Pirro. Frustrou os seus maiores vencedores no Parque São Jorge. Fortalece o hoje seu inimigo, Mario Gobbi. Desaba parte da admiração e fica claro que não passava de lenda a força de mobilizar a "nação corintiana" que aliados apostavam que Andrés possuía.
As pessoas de confiança de Andrés apostavam em um ambicioso plano. Vencer a eleição como deputado federal, arrastando um milhão de votos para o PT. Depois crescer, aprender a trabalhar em Brasília. E articular uma possível candidatura a prefeito de São Paulo. Caso fosse o escolhido, repetiria 2012, quando elegeu Mario Gobbi. Se indicasse o deputado Tiririca também o faria presidente corintiano, tal a sua força no clube. Se o pior acontecesse e não conseguisse brigar pela prefeitura ou ainda não ser eleito, haveria ainda sempre o Parque São Jorge. E o caminho ficaria aberto para voltar à presidência do clube em 2018. Pouco mais 169 mil votos em um universo de mais 32 milhões de paulistas com direito a voto. É um resultado muito aquém. Celso Russomano teve um milhão e meio de votos. Tiririca foi escolhido por mais de um milhão de paulistas. A política partidária é bem diferente da de um clube. Andrés aprendeu da pior maneira. A eleição foi um balde de humildade a Andrés Sanchez. Irá para Brasília para tentar reverter a decepção. Usará, lógico como desculpa, os que fracassaram. Nem conseguiram se eleger. Como os presidente de clubes, Roberto Dinamite, do Vasco; e Gilvan Tavares, do Cruzeiro, por exemplo. Tentaram ser deputados federais. Ademir da Guia, um dos maiores ídolos do Palmeiras, também não. Seu rival Marco Aurélio Cunha, ex-gerente e médico do São Paulo, fracassou. Assim como Marcelinho Carioca e Dinei. Reinaldo, Raul Plassmann e Marques também não conseguiram ser eleitos.
Mas em compensação, Andrés viu o sucesso de Romário, eleito senador da República, pelo Rio de Janeiro. Foi o maior vitorioso entre os candidatos ligados ao futebol. Teve 63% dos votos, mais de quatro milhões. Evandro Leitão, presidente do Ceará, conseguiu ser deputado estadual. Assim como Osmar Baquit, presidente do Fortaleza, também foi eleito deputado estadual. Jardel, ex-atacante do Grêmio, cunhou a frase clássico é clássico e vice e versa. Se tornou hoje um nobre deputado estadual em Porto Alegre. Se deu bem também o membro do Comitê Organizador Local da Copa, o tetracampeão Bebeto. O futebol continua misturado com a política. Há muitos aproveitadores, alguns poucos idealistas. Outros narcisistas. Vários iludidos. Infelizmente alguns alienados. Mas mesmo os mais populares, com poder de articulação para conseguir um estádio de R$ 1 bilhão, não podem sonhar com um milhão de votos. Se não sonhassem tão alto, suas vitórias não teriam gosto de decepção. Como a de Andrés Sanchez, o mais novo nobre deputado federal do Partido dos Trabalhadores em Brasília. Dono de exatos 169.828 votos...
Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 05 Oct 2014 23:19:31
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