Belo Horizonte...
O futebol esperava pela mordida de Suárez. E ela veio. Diante das câmeras em um dos jogos mais esperados de toda a Copa. Ele cravou os dentes em Chiellini. De nada adiantou o seu teatro. O italiano mostrou as marcas para o árbitro Marco Rodriguez. O mexicano não viu o lance e não deu nem cartão amarelo. Mas as câmeras denunciaram o uruguaio.
A punição foi um basta da Fifa. Nove jogos oficiais com a camisa do Uruguai. Quatro meses banido do futebol. E ainda multa de R$ 271 mil. Acabou a Copa do Mundo para ele. E também para a Celeste Olímpica. Lugano não gritou desesperado ontem à toa. O capitão do time usava o último recurso para tentar demover a Fifa de uma suspensão.
Banido, ele não pode nem ficar no mesmo hotel da sua amada seleção. Depressivo, viajaria ainda hoje para Montevidéu. Esta devastado. Mas agora é tarde para arrependimentos. A hora é das consequências.
Sem sua técnica, garra e talento, os uruguaios formam um time muito diferente. Contra a mesma Colômbia nas Eliminatórias, a diferença foi gritante. Sem ele, derrota por 4 a 0. Com Suárez, vitória por 2 a 0.
Ele passava confiança, vontade, técnica. Era o grande comandante do time. E também o exemplo. Havia operado o joelho esquerdo, feito uma artroscopia, um mês antes da Copa. Os médicos duvidavam da sua recuperação.
Mas se esqueceram que ele nasceu miserável. Um dos sete filhos de uma mãe solteira. Fez tratamento de manhã, tarde, noite. De madrugada, inclusive. Aos 27 anos ele havia prometido aos companheiros: o Uruguai surpreenderia o mundo.
Sem ele, o time perdeu para Costa Rica por 3 a 0. Para poder respirar no grupo da morte, sua seleção precisava vencer a Inglaterra. E lá estava ele em campo contra o país que o transformou em ídolo mundial. Suárez não teve piedade. Fez os dois gols da vitória uruguaia por 2 a 1.
Saiu do Itaquerão como ídolo, herói. Já um dos maiores personagens desta Copa. Com todos os méritos. Sua atuação só acelerou a negociação entre Liverpool e Barcelona. Os catalães cediam e aceitavam pagar R$ 263 milhões por ele. Tudo incrivelmente fantástico. Parecia livro de auto-ajuda. Até que...
Suárez ofereceu sua desejada cabeça em uma bandeja. A cúpula da Fifa estava sedenta para punir o uruguaio. Ao mesmo tempo que tem talento é a representação contrária ao fair play. O que muitos chamam de catimba, para a Fifa não passa de puro descontrole emocional. Maldade, deslealdade, malandragem da pior espécie.
A entidade estava esperando pela mordida de Suárez. Já havia feito todo tipo de deslealdade possível dentro do campo. E sempre escapando dos árbitros. Mas flagrado pelas câmeras. Acumulou 29 jogos de suspensões sem ter tomado o cartão vermelho.
Esse tipo de comportamento maldoso realmente vai contra o futebol. Membros do Comitê Disciplinar da Fifa lembraram bem. São milhões e milhões de crianças acompanhando a Copa do Mundo. Suárez é um grande ídolo. E deveria servir como exemplo. Sabe que muitos jovens imitarão seu exemplo para o mundo.
A punição foi duríssima. Mas a Fifa queria ter o prazer de anunciar o banimento de Suárez do futebol. Que seja por quatro meses, mas a palavra banimento não foi escolhido à toa. Ele é o jogador que a entidade quer ver longe do futebol. De suas competições.
O atacante havia mordido dois outros jogadores. Um quando atuava pelo Ajax e outro pelo Liverpool. Distribuiu cotoveladas. Foi racista com o francês Evra. O chamou de preto entre vários outros palavrões. Tomou oito partidas de suspensão.
Mas o povo uruguaio quer saber dos seus gols, do seu heroísmo. Quando saltou e espalmou com as mãos a bola de gana que eliminaria o Uruguai da semifinal da Copa da África. Cometeu o pênalti. Foi expulso. Mas acabou virando herói porque Gana desperdiçou a penalidade. E os uruguaios conseguiram ficar entre os quatro melhores do mundo.
Mas o lado bandido de Luizito Suárez não parava de se manifestar. No Liverpool ele tinha o direito de fazer o que desejava. Diante de seu talento, o clube se rendia. Por um triz ele não consegue fazer seu time campeão inglês.
Seu destino estava traçado. Iria fazer a necessária artroscopia no joelho esquerdo. Dar a alma pelo Uruguai na Copa. Depois se transformar em jogador do Barcelona. Mas a irracional ira veio à tona. Como esperava a Fifa.
A Copa perdeu um dos seus maiores personagens. O Uruguai seu grande jogador. A população do país vizinho está em luto. Mas Suárez merecia ser punido. A suspensão precisava ser exemplar. Não cabe mais a bandidagem dentro do campo.
Cotoveladas, socos, ofensas racistas, mordidas. Sempre de caso pensado, longe dos árbitros. Isso não pertence ao futebol de elite. Não combina com a postura de um ídolo. Suárez hoje chora. Mas quantas vezes não sorriu das malandragens que aprontou.
Quantos jogos tiveram seus resultados alterados graças à sua postura bandida, desleal. Dói criticar um jogador aguerrido, talentoso. Mas um ídolo de tanta importância não poderia passar o exemplo tosco de um descontrolado. Capaz das atitudes mais indignas para humilhar um marcador, ganhar um jogo.
Futebol não combina mais com deslealdade. O fim da Copa do Mundo para Suárez será um marco. Milhões e milhões de crianças e adolescentes estão chocados com a punição. Mas crescerão e entenderão que deslealdade não é esperteza.
Quem gosta de futebol também chora com o povo uruguaio. Mas quem entende o que é justiça se vê obrigado a reconhecer. A Fifa acertou. A Copa do Brasil perde grande ídolo. Mas as lágrimas do uruguaio deixam claro que foi ele quem perdeu.
A Copa do Mundo da Rússia vai esperar por um Suárez regenerado. Só interessado em jogar futebol. Tomara ele que tenha aprendido...
creator: cosmermoli
Publicado em: Thu, 26 Jun 2014 16:43:11 -0300
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