Mineirão...
"Eu peço desculpas. Sei que um país inteiro estava esperando pela alegria que prometemos dar. Mas não conseguimos. Foi uma pena. Não tenho explicação. Não faltou amor, dedicação. Estamos arrasados. A única coisa que eu posso fazer é pedir desculpas. Eu só queria poder dar alegria ao meu povo, a minha gente que sofre tanto. Infelizmente não conseguimos."
O maior símbolo do futebol brasileiro estava com os olhos inchados de tanto chorar. E com o olhar perdido na saída dos vestiários. Estava em choque. Arrasado.
David Luiz não sabia que rumo tomar. Estava tenso, visivelmente envergonhado. O final do sonho havia sido drástico demais. A derrota por 7 a 1 diante da Alemanha lhe doía a alma.
"Nós nos perdemos depois do primeiro gol. O time não conseguiu reagir. Ninguém deixou de lutar. Mas simplesmente não conseguimos reagir. E vieram os gols em seguida. Sei que frustramos muito gente. A dor é grande, profunda. Eu só posso pedir desculpas aos brasileiros. E jurar que um dia ainda vou dar a alegria que eles tanto querem dentro do campo."
David Luiz era o jogador mais arrasado.
O mais revoltado com a goleada por 7 a 1 era Paulinho. O volante a mais que Felipão não quis escalar e que poderia ter sido importante para travar o excelente toque de bola alemão.
"Foi a pior vergonha da minha carreira. Ficará marcado para sempre na minha história. Ser eliminado da final da Copa por 7 a 1 é demais. Não dá para negar que é a maior derrota do futebol brasileiro em todos os tempos.
"Por quê eu não fui escalado? Se eu deveria ter começado o jogo? Ah, isso foi decisão do meu treinador. E eu respeito. Quando ele me colocava no time não perguntava o motivo. Só posso lamentar o que nós mostramos em campo. Isso me envergonha demais."
O mais sem explicação coerente era Júlio César. O goleiro que sonhava com a sua ressurreição pessoal, também estava com os olhos vermelhos. Tenso, aos 35 anos, sabia que Copa para ele nunca mais. Com todo o cuidado evitava atacar os companheiros de time.
"Olha, não dá para culpar ninguém mesmo. Deu uma pane geral no time. De repente, estávamos encurralados. Não tínhamos como escapar a pressão alemã. Eles nos atacavam com vários jogadores ao mesmo tempo, conseguiam invadir a nossa área. E chutar.
"Se é hora de contratar um treinador estrangeiro? Não sei. Acredito que temos ainda muitos técnicos importantes e com condições de comandar a Seleção se o Felipão sair. Mas isso eu deixo para quem manda na CBF. O que quero falar é do jogo de hoje.
Foram seis ou sete minutos que ficamos parados, tomando gols e sem força para reagir. De repente o time parou. Papai do Céu me deu a oportunidade de jogar outra Copa depois daquele acidente na África. Mas infelizmente acabamos caindo hoje de uma maneira incrível. Não tenho explicação. Nosso grupo é forte demais para perder por 7 a 1."
Talvez se Júlio César conversar com Dante, ele tenha uma pista sobre o motivo da goleada. O zagueiro do Bayern de Munique foi no ponto. Para ele tudo era simples, não havia mistério.
"Nosso time estava desorganizado e enfrentou uma equipe muito bem preparada. O Felipão nos orientou bem. Só que os alemães treinam e jogam juntos já seis anos. Eles estavam muito entrosados. E conseguiram fazer o que queriam em campo.
"Tinham muito conjunto. Coisa que faltou ao Brasil. Eles estavam bem preparados demais para nós. Por isso foram marcando e não tivemos força para reagir. Se a nossa geração ficará marcada por essa goleada? Talvez."
Daniel Alves, se destacou pela original maneira de analisar a goleada sofrida pelo Brasil. Conseguiu surpreender os jornalistas que o entrevistaram.
"Olha, não tem motivo para ter vergonha, não. A derrota não foi histórica. 7 a 1 não quer dizer nada demais. Se tivéssemos perdidos por 1 a 0 seria exatamente a mesma coisa. O que conta é que perdemos a chance de sermos campeões. 7 a 1 não tem mesmo nada de mais."
"Olha, eles foram melhores do que a gente. Conseguiram encaixar o jogo que eles queriam. Lutamos, mas não conseguimos reagir. Ele aproveitaram toda a superioridade em tudo. Não há desculpa. Foram muito melhores. A goleada não foi por acaso", reconhecia Luiz Gustavo, conformado.
O mais ressentindo na saída do time era Thiago Silva. Ele ainda não conseguiu superar os ataques da imprensa brasileira pelas sucessivas crises de choro. Na hora de analisar a eliminação por 7 a 1, ele não olhava para ninguém. Fitava o alto buscando se concentrar. Mas sua fisionomia não era nem um pouco amistosa.
"Olha, nunca na minha carreira eu tive uma derrota tão grande. Mas se eu estivesse em campo poderia ser oito, nove. Mas talvez a minha experiência ajudasse. Evitasse a tal pane. Mandaria o time segurar, se acalmar. Tomamos gols em seis minutos...
"A minha dor é tão forte que não consigo nem chorar. Nem chorar. Sei que não vou dormir. A lição? Todos vão falar do Felipão. Mas todos nós somos culpados da derrota. Tenho certeza que doeu tanto como em 1950 no Maracanã. O pior é que muita gente vai questionar tudo. Como se nada que fizemos tivesse sido certo. Fizemos, mas as pessoas vão esquecer depois desse 7 a 1. Vamos ficar marcados."
A sensação é que todos sabiam no vestiário. Ficarão tão marcados como Barbosa ficou em 1950. Carregarão para sempre nos ombros o peso de perder uma Copa dentro de casa. No Brasil...
creator: cosmermoli
Publicado em: Tue, 08 Jul 2014 22:42:53 -0300
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