Teresópolis...
"Foi uma Copa maravilhosa, mas o meu sentimento é de muita tristeza. Particularmente para mim. Já que acabou. Foi a minha última Copa do Mundo."
Júlio César foi o primeiro. A Seleção Brasileira sofrerá uma profunda reformulação tendo como alvo a Rússia. A incoerência é interessante. O Brasil tem um grupo inexperiente que disputa a Copa. São 17 atletas que participam da competição pela primeira vez. Mas o conjunto não é necessariamente novo. Pelo contrário.
A idade impedirá vários desses atletas de vestirem a camisa do Brasil em 2018. Além de Júlio César, que atingirá 38 anos, há outros atletas que nem precisariam de RG para dar adeus ao uniforme verde e amarelo.
Daniel Alves e Maicon. Os dois laterais direitos que duelaram por duas Copas do Mundo, morrerão abraçados. Terão respectivamente 35 anos e 36 anos. Se agora não conseguem cumprir suas funções táticas: atacar e defender, o que dirá daqui a quatro temporadas? São cartas totalmente fora do baralho.
Sabem disso. Tanto que estavam com o mesmo semblante desanimado, de que chegaram ao fim do caminho tortuoso e com muito mais baixos do que altos na Seleção. Foram campeões da Copa América. Mas quando chegou a Copa do Mundo, brincaram em se revezar e decepcionar os treinadores que confiaram neles.
O outro que deve pensar em outra coisa para fazer em 2018 é Fred, quando terá 34 anos. O jogador tem um espírito forte, de líder. Muita coragem, raça. Mas não consegue render fisicamente. Não tem o biotipo que os atacantes modernos necessitam: velocidade, habilidade e grande visão de jogo. É um centroavante das antigas. Bem das antigas.
Foi perseguido e cobrado violentamente nesta Copa. Não por culpa dele. Era Felipão que se negava a ver a realidade. Não tinha cabimento manter um atacante fixo, parado entre os zagueiros esperando uma dádiva do destino. Uma sobra, bola rebatida, cruzamento que a defesa adversária não corte. É pouco demais.
Fred ainda conseguiu atrapalhar o Brasil fora de campo. Ao conseguir cavar o pênalti contra a Croácia trouxe a revolta contra o time anfitrião da Copa. Os árbitros que foram trabalhar nas partidas da Seleção tinham uma preocupação a mais: na dúvida pensar duas vezes antes de optar pela equipe de Felipão. Tornou a equipe nacional antipática aos adversários.
Virou um personagem marcado. Até por ter a coragem de revelar seu sonho. Marcar sete gols na Copa. Um por partida do Brasil até o título. Marcou apenas um, contra o fraco time de Camarões. Cabeceando cruzamento sem goleiro. Desabafou, disse que sofreu críticas maldosas e que tinha mostrado sua importância.
Vieram as partidas contra o Chile, Colômbia e Alemanha. No jejum. Nem se marcar seis gols contra Argentina ou Holanda, sábado em Brasília, será mais convocado. Ele ficou com o estigma de jogador de Felipão.
Seu reserva Jô deverá seguir o mesmo rumo. Felipão é um dos último técnicos a apostar em um atacante fixo, parado na área. Só que Jô vai além disso. É quase como um pivô de basquete. É o termômetro ideal para a avaliação real da Copa das Confederações. Fez gols, chamou a atenção em função do excelente momento do time brasileiro. E da fragilidade e falta real de preparação dos adversários para o torneio.
Foi uma miragem. Na Copa do Mundo não teve espaço porque nos treinamentos foi um dos piores do time. Sem movimentação alguma. Acabava facilmente anulada pela zaga titular.
Felipão não irá confessar nem sob tortura. Mas a minha observação sobre o jogador que ele se arrependeu de convocar não tem dúvida. É o atacante do Atlético. Mineiro. A sua presença no grupo obrigava a continuar apostando em Fred. Seria um absurdo colocá-lo como atacante titular. Pelo que não está jogando.
Um jogador velocista como Robinho ou até Lucas seria muito mais útil na reserva. Por isso a atitude virulenta de Wagner Ribeiro. O empresário do atacante do PSG leu a situação e disparou contra Felipão.
"6 quesitos para ser técnico da seleção brasileira. 1- Ir treinar seleção de Portugal e não ganhar nada. 2 – Ir para o Chelsea e ser mandado embora. 3 – Ir treinar o Uzbequistão. 4 - Voltar ao Brasil e pegar um time grande e rebaixá-lo para a segunda divisão. 5 – Pedir demissão 56 dias antes do final do campeonato para 'escapar' do rebaixamento. 6 – Ser velho babaca, arrogante, asqueroso, prepotente e ridículo."
Um ataque desrespeitoso, cruel e covarde. Ele deveria falar o pensa pessoalmente a Felipão. O empresário teve os seus interesses atingidos ao não ter Lucas entre os convocados.
Mas o garoto mostrou imaturidade para tanta pressão que é disputar a Copa do Mundo no Brasil. Tem potencial para estar em 2018. Só que técnico algum no planeta aceita ser pressionado por empresário, como Wagner gosta de fazer.
O capitão Thiago Silva terá de estar jogando em altíssimo nível. De preferência sem chorar. Ele terá na Copa da Rússia nada menos do que 33 anos. É uma idade limite para um zagueiro no futebol moderno. Ainda mais porque seu grande parceiro David Luiz terá 31 anos. Dois anos fazem uma diferença enorme.
O homem de cabelo de enrolado estará garantido se continuar a mostrar seu ótimo futebol. O problema para Thiago é que surge no horizonte a figura de Marquinhos, do próprio PSG. Ele terá 24 anos em 2018. Estará no auge físico de um atleta. Tem potencial e técnica para brigar pela vaga de titular do Brasil da nova copa.
Fernandinho e Hernanes estão no mesmo barco. Ambos terão 33 anos. E dependerão de uma paixão entusiasmada do novo técnico da Seleção para seguir até Moscou. Fernandinho era o melhor dos volantes da Seleção, mesmo na reserva. Pressionou até ganhar a posição de Paulinho. Mas ontem foi um dos responsáveis pelo desastre dos 7 a 1.
Hernanes não disse a que veio. Capaz de atuar em qualquer posição no meio de campo, acabou se tornando um curinga inútil. Sem função definida para Felipão. Era quase um volante, quase um meia. Parou nisso, um quase. Talento tem, mas a Seleção não soube usar seu potencial.
Outros jogadores menos importantes têm chances mínimas de ir para a Rússia. Jefferson, Victor, Dante, Maxwell. Terão 35, 36, 34 e 36 anos. Idosos neste futebol cada vez mais competitivo.
Resumo da ópera. Vários jogadores se despedirão da Copa do Mundo sábado em Brasília. Alguns têm a certeza como Júlio César, Daniel Alves, Maicon, Fred, Jô. Outros têm uma grande desconfiança. Até pelo que não fizeram na Copa no Brasil.
Mas assim é a vida e o futebol: o novo sempre vem. Principalmente quando o projeto é um fracasso. Palavra que resume a participação da Seleção de Felipão no Mundial de 2014, aquele o qual o técnico prometeu ser campeão e que iludiu tanta gente...
creator: cosmermoli
Publicado em: Wed, 09 Jul 2014 14:54:33 -0300
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