Belo Horizonte...
"Se Brasil e Colômbia acontecesse na Europa, os 22 jogadores não terminariam a partida. Essa energia física no jogo com a Colômbia foi além dos limites.
"Foram faltas brutais, não apenas aquela contra o Neymar, mas faltas cometidas por trás, faltas perigosas, carrinhos por trás e pelo lado. Temos que proteger os jogadores.
"Que essas faltas muito violentas sejam paradas, senão, não veremos mais Neymar, Messi etc, veremos outros jogadores que vão entrar em campo para destruir."
As frases de Joachim Low repercutiram na delegação brasileira. Não como ele gostaria. Ficou claro para Felipão que a Alemanha não quer que o Brasil apele para o jogo 'bruto' hoje, no Mineirão. Pura ilusão. É justamente isso que a Seleção vai fazer.
Já está certo que, sem Neymar, o Brasil entrará com uma equipe que nunca atuou junta na Copa. A dependência do atacante era tanta que Felipão não preparou a Seleção sem ele. Portanto, em uma semifinal de Copa do Mundo, terá de improvisar. E vai fazer exatamente o que mais pode incomodar os germânicos: apelar para a pegada firme do time.
Mesmo com Neymar, a Seleção já era o time mais violento de toda a Copa. A Alemanha é atenta às estatísticas da Fifa. O Brasil cometeu 96 faltas. Muitas delas duras. Uma das frases prediletas de Felipão nos treinamentos os jogadores já decoraram.
"Feio não é fazer falta. Feio é tomar gol, porra!"
O Brasil praticamente dobrou com Felipão o número de faltas que o time faz por jogo em relação ao apático time de Mano Menezes. Nesta Copa, por exemplo, são 19,2 por partida. Com Mano, eram apenas 11. O treinador incentiva o contato físico. Principalmente em jogos decisivos, importantes como hoje.
"O futebol se tornou muito mais competitivo. O Brasil não é uma equipe violenta. Mas briga mais pela bola como tem de ser. Não damos espaço mesmo para os nossos adversários. Os times campeões no mundo todo fazem isso. Repetiremos isso contra a Alemanha, lógico."
A promessa foi feita por Luiz Gustavo. O volante atua no país europeu e sabe muito bem o quanto o atual time alemão prefere a técnica ao contato.
A equipe de Low fez 56 faltas durante toda a Copa. A média é baixa em relação ao Brasil. Apenas 11,2. Seus atletas preferem a antecipação. Influenciado pelo toque de bola espanhol que foi campeão de 2010, Low exige o controle do jogo. Com passes até em excesso, os germânicos evitam o combate, os confrontos.
O plano de Felipão é exatamente acabar com esse toque de bola. Repetir o que fez com a Espanha na final da Copa das Confederações no ano passado. A escalação mais coerente para o jogo de confronto que pretende seria colocar três volantes: Luiz Gustavo, Paulinho e Fernandinho. Quando o Brasil fosse atacado, Oscar recuaria.
A ideia desenvolvida pelo próprio time alemão do Bayern campeão do mundo de 2013. Duas linhas de quatro para travar Thomas Müller, Özil, Kroos, Schweinsteiger. Matar o toque de bola alemão no seu nascedouro. Sem economizar faltas.
O ex-jogador Edílson esteve na concentração brasileira em Fortaleza. Foi chamado por Felipão para animar o grupo que estava se afogando nas próprias lágrimas. Entre piadas, ele contou como detestava enfrentar os times de Felipão. Habilidoso, detestava os marcadores 'fungando' no seu pescoço.
Foi exatamente isso que Fernandinho e Paulinho fizeram durante toda a partida contra James Rodríguez. O colombiano foi anulado. Com boa dose de faltas. "O Brasil usou virilidade e não deslealdade, o que é muito diferente", sentenciou Paulinho.
Quem conhece Felipão há décadas, sabe que ele não é de mandar aviso. Na coletiva de ontem aqui no Mineirão, o treinador brasileiro estava gentil, risonho. Passava a imagem de quem estava para embarcar em um avião e ir para a Disney. Não é bom se enganar.
Quando Scolari está assim na véspera de uma decisão, é quando o seu time entra mais pegador em campo. É bom Low se preparar. O Brasil entrará para a semifinal declarando guerra aos germânicos. Com uma marcação pegajosa, faltosa, irritante, vibrante. Felipão tentará desestabilizar os rivais.
E contará com o apoio emotivo da torcida mineira. O pungente grito de "eu acredito" que consagrou a campanha do Atlético Mineiro na Libertadores de 2013 voltará a ser ouvido. Ainda mais agora que o time perdeu a sua maior arma técnica, Neymar.
A Seleção Brasileira não terá vergonha de apelar para a maior característica dos times vencedores de Felipão. O pouco de refinamento que tinham vinham do talento individual dos atletas. A filosofia do Grêmio e do Palmeiras campeões da Libertadores era a forte pegada, intimidação ao adversário. E alguns pontapés quando era necessário.
O Brasil campeão de 2002 não era um time nada bonzinho. Dividia com força, raça. Era leal, mas não deixava o adversário tocar a bola impune. A final de 2002, contra a própria Alemanha, deixou isso muito claro.
O caminho para o Brasil tentar uma surpreendente vitória está na marcação, na peleia, como dizem o gaúcho. Ainda mais com David Luiz como capitão do time, substituindo o suspenso Thiago Silva.
Por isso não é bom Low acreditar no discurso e nos sorrisos de Scolari de ontem na sua entrevista. De avô bonzinho ele só tem a aparência e o tom de voz. O Felipão que incendeia, enlouquece o seu time virá à tona.
Para quem não sabe, quando era jogador, o treinador do Brasil costumava passar Vick Vaporub, um unguento fortíssimo para desobstruir o nariz. Mas ele colocava nas suas partes íntimas, o que provoca um ardor irritante.
"Aquilo não me deixava relaxar durante todo o jogo. Coitado do centroavante que vinha disputar a bola comigo." Será exatamente esse o clima que os alemães vão enfrentar daqui a pouco no Mineirão.
Thomas Müller, Özil e Schweinsteiger que não estranhem se, por acaso, estiver um cheiro de Vick Vaporub no ar quando a bola começar a rolar.
Muitos alemães vão aprender a voar...
creator: cosmermoli
Publicado em: Tue, 08 Jul 2014 08:56:02 -0300
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