Nem mesmo o Grêmio fez sua torcida passar tanta decepção com Ronaldinho Gaúcho. O Palmeiras fez seus torcedores acreditarem por três vezes que teria o meia que foi melhor do mundo por três vezes. E três vezes ficaram frustrados. No banquete do centenário do clube, que deveria ser festivo, alegre, libertário, outra vez a enorme decepção. Infelizmente a frustração roubou a festa. Conselheiros reclamavam, xingavam, lamentavam. Saíram de suas casas, pagaram R$ 1.200,00 para jantar no Citibank Hall. Tinham a certeza de que a sobremesa seria Ronaldinho Gaúcho vestindo a camisa verde e branca número 100. Foram embora furiosos com Paulo Nobre. O bilionário presidente tentou ao máximo evitar esse clima ruim. Mandou sua assessoria de imprensa divulgar pela Internet, rádio, televisão que a negociação havia fracassado. Isso logo depois das 18 horas. Era para os conselheiros chegarem no banquete cientes que não haveria anúncio algum. Mas não adiantou. A grande maioria daqueles que escolherão o novo presidente do Palmeiras passaram o dia sonhando. Acompanhando cada lance da transação. Vibraram quando souberam pela manhã que o vice Maurício Precivalle havia fechado com Assis. "Estava tudo acertado", garantiam conselheiros próximos a Paulo Nobre. Parecia um filme de suspense. Com tudo acontecendo no último instante. Ontem era o derradeiro dia de inscrições na Copa do Brasil. Por isso, o Palmeiras tratou de pagar a taxa de R$ 600,00 para a Federação Mineira transferir a documentação de Ronaldinho Gaúcho para a Federação Paulista. Isso aconteceu às 16h54. Foi então que conselheiros e funcionários do clube passaram a espalhar a notícia a jornalistas amigos. Tudo estava chegado. Não haveria como a transação andar para trás, acreditavam. Não sabiam o quanto estavam longe da realidade.
Assis e Precivalle chegaram ao mínimo que o jogador receberia: R$ 300 mil. Chegando a um mínimo de partidas em campo, receberia mais R$ 175 mil. R$ 475 mil é o salário de Valdivia. A preocupação da diretoria era não criar um rompimento entre o jogador e o restante do grupo por causa do dinheiro. A partir daí seria "bônus". Assis pediu 20% da renda das partidas do Palmeiras que o irmão estivesse atuando. E mais 30% de participação no patrocínio da camisa que o meia atraísse. Tudo certo. A direção do clube e Nobre aceitaram. O Palmeiras chegou até a redigir o contrato. Ele iria até dezembro com a possibilidade de renovação por mais um ano. Assis está negociando com um clube chinês e outro norte-americano. Acredita que Ronaldinho pode viver pelo menos mais uma temporada fora do país e ganhando muito bem. Quis fazer com o Palmeiras o que Kaká faz com o São Paulo. Ganhar bom dinheiro até o final do ano e manter o ritmo de competição até 2015. Só que uma velha reclamação de quem já negociou com Assis voltou à tona. Depois de tudo apalavrado e contrato feito, o empresário decidiu pedir mais. Quis que os 20% da arrecadação bruta dos jogos do Palmeiras que o irmão atuasse. O clube que se virasse com os descontos. Seria um aumento significativo.
Essa decisão irritou profundamente Paulo Nobre. Se com Alan Kardec, o dirigente quis economizar R$ 20 mil, não daria cerca de R$ 200 mil a mais para o meia do que havia combinado. O vice Precivalle mandou avisar que o clube manteria o combinado. Seria 20% sobre a arrecadação líquida e nunca a bruta. Foi a deixa para Assis afirmar que o negócio estava desfeito. O meia não mais viajaria do Rio de Janeiro, onde curte suas férias, para São Paulo. Nada de presença no banquete e apresentação oficial para a torcida. A resposta pegou a todos como uma bomba. Não havia tempo para discutir mais nada. Não haveria como inscrever Ronaldinho Gaúcho para a Copa do Brasil. E o grande presente do banquete do centenário estava cancelado. Nobre tentou salvar ao menos a reputação do clube. Mandou avisar que o Palmeiras tinha desistido de Ronaldinho Gaúcho. Era uma saída política. E com menos danos políticos. O presidente que emprestou R$ 125 milhões ao clube tentará a reeleição. Tentou se preservar o máximo que pôde. Só que o desgaste já estava feito. Muitos conselheiros saíram frustados. Haviam ido para o banquete sonhando com fotos ao lado do novo contratado. Tiveram de se contentar com selfies com vários ídolos do passado. Paulo Nobre teve de dar inúmeras explicações. Consolar muita gente. O que aconteceu foi melhor para Roberto Frizzo e Wlademir Pescarmona. Os dois candidatos de oposição que tentarão enfrentar o poderio econômico de Nobre na eleição. A conselheiros faziam questão de mostrar o quanto ele havia sido amador. Deixou vazar a informação que contrataria Ronaldinho Gaúcho e depois passava por um grande vexame. Expunha outra vez o Palmeiras de maneira desnecessária. Em 2011, Assis havia garantido a dirigentes palmeirenses que seu irmão iria jogar no Palestra Itália. Disse a mesma coisa para a diretoria gremista. E ele foi para o Flamengo. Em 2012, outra vez o Palmeiras chegou primeiro. O empresário havia deixado tudo certo. Só que o meia acabou no Atlético Mineiro. E ontem mais uma enorme decepção. Estragou o banquete do centenário do clube. O Palmeiras foi preterido três vezes por Ronaldinho Gaúcho. Virou motivo de chacota, humilhação nacional. Tomara que o meia encerre logo a carreira. Para evitar mais frustração pelos lados do Palestra Itália. Verde e branco ele só quer o boné do seu camarote no Carnaval de Salvador...
Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 27 Aug 2014 09:37:06
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