Desde que retornou ao Palmeiras, em 2010, é o mesmo roteiro. Seja qual o motivo que seu nome esteja envolvido em confusão, a luz da porta de saída sempre foi a Gávea. O interesse do Flamengo pelo chileno se materializou duas vezes. Arnaldo Tirone recusou as propostas vindas do Rio de Janeiro. Por medo da reação da torcida, dos conselheiros. O efeito colateral das propostas foi a valorização por parte da imprensa, dos treinadores, dos dirigentes. O chileno é muito esperto. E soube lidar muito bem a situação. Em 2012 chegou a vestir a camisa do Flamengo depois de uma partida no Pacaembu. Em pleno gramado deu entrevistas com a camiseta usada por Léo Moura. Dedicou o resultado aos "corneteiros. "Isso é para os corneteiros que falam que eu não quero continuar aqui, que não estou nem aí. Já falei, quando eu jogo, eu vou me dedicar. (...) O Flamengo foi atrás do Palmeiras e o Palmeiras não aceitou minha venda. O Felipão nunca me disse que queria que eu fosse vendido, então fiquei feliz de ficar aqui." Disse aos repórteres. Nas arquibancadas, a reação foi imediata. Enquanto os pouquíssimos torcedores rubro negros o aplaudiam, os palmeirenses o xingavam. Enxergavam enorme desrespeito. Valdivia desceu as escadas para o vestiário sorrindo. Havia dado o troco nos dirigentes, nos conselheiros. E ainda nas organizadas, com quem sempre teve péssimo relacionamento. O ápice dessa briga entre organizadas e Valdivia aconteceu em 2013. O Palmeiras disputava a Libertadores da América. Mas estava rebaixado, jogaria a Segunda Divisão do Brasileiro. Torcedores não suportavam esse comportamento bipolar. E perseguiam o chileno por sua marca registrada. A ausência. Contusões com recuperações intermináveis, convocações para a Seleção Chilena, suspensões. Em um treinamento na Argentina, membros da Mancha Verde começaram a xingar o meia. Valdivia não se fez de rogado. Encarando os torcedores, esfregou a própria genitália. Provocou enorme revolta, sendo jurado pelos palmeirenses. No Aeroparque de Buenos Airas, a organizada encontrou o time. E caçou o jogador. Logo os palavrões se transformaram em xícaras e copos voando. A equipe protegeu o atleta, que correu para o banheiro, cercado por companheiros e seguranças. Enquanto isso, uma xícara estourou na parede e estilhaços cortaram a cabeça do goleiro Fernando Prass, um vexame internacional. O incidente fez Paulo Nobre exigir a expulsão da Mancha Verde dos torcedores participaram da confusão. Como não foi atendido, ele rompeu com a organizada. Mas o dirigente nem cogitou negociar o chileno.
No Palestra Itália, pessoas influentes como os ex-presidentes Mustafá Contursi, Afonso Della Monica e Carlos Facchina insistem. O erro em relação a Valdivia foi o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. De acordo com o trio, ele agiu como torcedor. Desesperado para o retorno do meia, ofereceu um contrato de cinco anos. Pagando R$ 475 mil a cada 30 dias, em um período de 60 meses. O clube pagou seis milhões de euros ao Al Ain dos Emirados Árabes. Mais comissões a agentes e até ao pai do jogador. Desde que retornou, ganhou com a camisa do Palmeiras uma Copa do Brasil, em 2012. No mesmo ano, não impediu o rebaixamento para a Segunda Divisão. Seus números estão quase decorados pelos torcedores. Mas sempre vale a pena repetir. 315 jogos que o Palmeiras fez desde a volta do meia, ele só atuou em 138 deles. E só em 59, atuou por 90 minutos. Ele ficou de fora 177 partidas. Estava machucado 122 vezes, suspenso 15, poupado 13, dispensado 9, Seleção Chilena, 17. Ele ainda não jogou no Palmeiras este ano. Desmoralizou o departamento médico do clube dizendo a Paulo Nobre que precisava ir para a Seleção Chilena encontrar o fisioterapeuta cubano, José Amador. Alegou que não conseguia se recuperar da sua lesão na coxa esquerda. Foi para Santiago em janeiro. Se tratou. E até agora não se recuperou. Mas esteve no Carnaval em Salvador. Paulo Nobre é apaixonado pelo jogador. Pela idolatria que desperta na torcida. Quer a renovação de seu contrato. O responsável pelo futebol, Alexandre Mattos, consegue ter um distanciamento. E recomenda um contrato por produtividade. Não se conforma por ele ter ficado fora de mais da metade dos jogos que deveria ter participado. Só em salários, ele recebeu R$ 28,5 milhões nestes cinco anos.
Luiz Valdivia é pai e empresário do jogador. Ele soube dessa intenção de Mattos. E não aceita quer o filho recebendo seu salário normalmente. Entrando ou não em campo. Como acontece com o atual contrato. Já tem agendado encontro com Nobre e Mattos na próxima semana. O compromisso do chileno termina em agosto. Desde fevereiro ele pode assinar pré-contrato com qualquer equipe do mundo e ir sem render um centavo ao Palestra Itália. Aí é que entra, de novo, o Flamengo. O clube carioca está fazendo trabalho brilhante para sanear suas dívidas. Mas Vanderlei Luxemburgo insiste com o presidente Eduardo Bandeira de Mello. Precisa de um ídolo, o camisa 10. Atleta talentoso, midiático, capaz de determinar o ritmo do time. Mexer com a torcida. E que tenha grande afinidade, cumplicidade com o treinador. Luxemburgo foi o técnico do Palmeiras campeão paulista de 2008. Valdivia teve atuações excelente naquele ano. Por causa delas, acabou sendo comprado pelo Al Ain. A dupla sempre quis trabalhar junta novamente. Manager ou não manager, Vanderlei não se furta em telefonar aos atletas que deseja ver no time que treina.
Nunca esteve tão fácil para o Flamengo contratar Valdivia. Basta que não renove com o Palmeiras. E espere até agosto. Há dois entraves. Se ele atuar uma vez que seja na Copa do Brasil não poderá jogar pelo Flamengo. O mesmo se aplica se chegar a seis partidas no Brasileiro com a camisa verde. Esses são os pontos negativos. Mesmo assim, Luiz Valdivia irá ouvir uma proposta do clube carioca. Antes se reunirá com os dirigentes palmeirense. Reafirmará que não aceita contrato por produtividade. Sabe que tem um trunfo grande demais chamado Flamengo nas costas. O desejo de Valdivia, que fará 32 anos em outubro, é um contrato de três anos. Com direito a luvas, evidente. Ele não faz nada por acaso. A postagem de ontem no seu Instagram, de foto de uma caneca onde estava escrito Rio de Janeiro foi uma mensagem direta. Assim como a legenda: "Pois é". Torcedores palmeirenses ficaram revoltados. Leram como se tivesse se oferecendo a atuar na Cidade Maravilhosa, onde, por acaso, está o Clube de Regatas do Flamengo. Só depois que a imagem estavam em todos os sites, Valdivia tirou a foto. Ou o Palmeiras mais uma vez se dobra ao seu maior ídolo ou ele irá para a Gávea. Simples assim. Está tudo nas mãos de Paulo Nobre e Alexandre Mattos. Vale ou não manter o problemático, mas talentoso, Valdívia por mais três anos?
Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 06 Mar 2015 11:57:20
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