sábado, 7 de março de 2015

"Se Wesley saiu por R$ 36 milhões, o Valdivia já custou mais de R$ 80 milhões." "Os jogadores não acreditavam no que o Felipão falava, por isso caímos." "Fui para a praia, depois do rebaixamento, por causa da pressão alta." Arnaldo Tirone...

"Se Wesley saiu por R$ 36 milhões, o Valdivia já custou mais de R$ 80 milhões." "Os jogadores não acreditavam no que o Felipão falava, por isso caímos." "Fui para a praia, depois do rebaixamento, por causa da pressão alta." Arnaldo Tirone...




21h50 de ontem, sexta-feira. Toca o meu celular. Não posso atender, estou no ar, na Record News, explicando ao Heródoto Barbeiro as manobras de Eurico Miranda na busca pela volta do mata-mata no Brasileiro. E principalmente a pressão para a redistribuição das cotas pagas pela Globo aos clubes. No trajeto de volta para casa, dou o retorno. "Oi, Cosme. Tudo bem? Aqui é o Tirone. Estou te ligando porque muitas pessoas no Palmeiras estão me cobrando pelo Wesley. Quero reparar uma grande injustiça que estão fazendo comigo. Muitos conselheiros acompanham o seu blog e você publicou detalhes da negociação. Outros órgãos de imprensa insistem nos mesmos números. Mas quero dar detalhes que as pessoas não sabem. Podemos conversar?" Foram 38 minutos de conversa reveladora. O ex-presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone, não se limitou ao caso Wesley, fez revelações sobre o rebaixamento do Palmeiras, a prioridade na conquista da Copa do Brasil, a apatia de Felipão que encaminhou a volta à Segunda Divisão, as famosas fotos na praia do Leblon depois do queda do Palmeiras. E, principalmente, sobre a péssima situação financeira do clube. O filho de um dos maiores diretores de futebol da história palmeirense falou sobre a gigantesca dívida de R$ 175 milhões deixada por Belluzzo. De como entregou devendo R$ 215 milhões.E como Paulo Nobre já conseguiu fazer o clube romper a barreira dos R$ 300 milhões negativos. Tirone, a negociação do Wesley não foi a pior da história do Palmeiras? Comprometeu R$ 36 milhões, o jogador foi para o São Paulo sem render um tostão. Fora o vexame da história do clube implorar ao torcedores pagarem pelo jogador e a torcida se recusar. Sem falar no dinheiro que foi emprestado e não pago ao presidente do Criciúma, Antenor Angeloni?

Cosme, agora é a minha vez de explicar todos os detalhes dessa transação. E acabar com muita injustiça que gente do próprio Palmeiras tenta fazer contra mim, usando a imprensa. Nós sabíamos que havia a possibilidade de trazer o Wesley por empréstimo. Perguntei para o Felipão e ele me falou "contrata que é um ótimo jogador". O Werder só queria vender. Não tinha dinheiro, a condição que o Belluzzo deixou as finanças foi terrível. Foi então que me procuraram dois garotos, representantes do MOP (My Own Player) com a ideia do rateio com os torcedores. Aceitei. Quero dizer que não há vítima nessa negociação. O Antenor Angeloni, presidente do Criciúma, foi quem nos procurou oferecendo a garantia financeira. Queria uma parte do jogador em futura venda, algo como 11%. Queria lucrar com uma possível valorização do Wesley. Não havia essa história de intercâmbio, nada. Queria dinheiro. E outra coisa. Ninguém foi atrás dele, não. Se o Belluzzo deixou dívidas altíssimas, havia dinheiro para comprar o Wesley? Não. Com o fracasso do rateio dos torcedores, precisávamos da garantia bancária que o pagamento de 6 milhões de euros (R$ 19,9 milhões). Com os encargos chegaria a R$ 21 milhões. Os alemães aceitaram dividir em três vezes. Dois milhões de euros em 2012, dois milhões de euros em 2013 e dois milhões de euros em 2014. Eu não tinha esse dinheiro. O Angeloni resolveu assumir a garantia acreditando que lucraria com o Wesley. Foi uma aposta dele. Assim como o pessoal do MOP, que queria lucrar com o jogador. No futebol é assim, o jogador se contundiu, não rendeu o que se esperava. Não deu dinheiro.

Mas não era obrigação do Palmeiras pagar o Angeloni? Eu saí do Palmeiras devendo a primeira parcela, dois milhões de euros. Os outros quatro milhões eram de responsabilidade do Paulo Nobre. Ele usou o jogador por dois anos seguidos. É tão culpado pela negociação quanto eu. O Angeloni chegou a me ligar. Eu disse que não teria condições de pagá-lo naquela ocasião. A dívida passou para a próxima administração. O Nobre deixou que de dois milhões de euros, passasse a seis milhões. E a culpa é toda minha? De jeito nenhum. Além disso, o Angeloni agiu como investidor. Investidor ganha ou perde dinheiro em jogador. Simples assim. Mas na prática, você como presidente do Palmeiras, comprometeu R$ 36 milhões no Wesley. Aí é que está o erro. A transação saiu por R$ 21 milhões. As pessoas somam mais R$ 15 milhões com salários, luvas, taxas. Isso é um enorme absurdo. O que conta é quanto o Palmeiras pagou ao Werder Bremen. Por que se for assim, a transação do Valdivia já passa dos R$ 80 milhões. Essa sim foi a pior negociação da história do clube. Do futebol brasileiro. Basta ver o quanto o Belluzzo pagou para o clube dos Emirados (Al Ain), mais as luvas, comissões. Aliás teve muitas comissões. Não só para empresários, mas também ao pai do Valdivia. Fora esse contrato de cinco anos. No começo, o chileno ganhava R$ 435 mil limpos, fora luvas, premiações. Não dá nem para comparar com o Wesley. Ele chegou ganhando R$ 220 mil. Mas as pessoas fazem questão de se esquecer do Belluzzo e massacrar o Tirone. Aliás, eu nem queria falar de outros presidentes. Quis ligar para você para falar da minha administração, do Wesley. Por que o Wesley acabou se encostando no Palmeiras? Olha, eu acabei me aproximando dele e sei o quanto foi injustiçado. É um grande jogador. Ele passou a ser cobrado, perseguido pela torcida do Palmeiras. E quando os torcedores escolhem um para massacrar, não tem jeito. Foi escolhido como o grande responsável pelo fracasso do time. Mesmo assim, foi importante na Segunda Divisão. Sei que queria renovar, dar a volta por cima. Mas soube que depois que o Paulo Nobre assumiu, o relacionamento esfriou. Foi deixado de lado. E acabou indo para o São Paulo de graça. Foi um grande desperdício. Por falar em desperdício, como você explica rebaixamento do Palmeiras em 2012? Como é que um time que vence a Copa do Brasil consegue cair no mesmo ano? Vamos por partes. Vou revelar o que pouquíssima gente sabe. A Kia que patrocinava a nossa camisa decidiu patrocinar a Copa do Brasil naquele ano. A diretoria da empresa me disse que adoraria que o Palmeiras fosse campeão. Seria importante para a marca. Eu pretendia continuar com o patrocínio. E falei com o Felipão da necessidade de ganhar esse título. E foi o que fizemos. A campanha foi sensacional. Conquistamos a Copa do Brasil e abrimos a possibilidade de seguir com o patrocínio forte. Só que houve muita comemoração e certa acomodação por parte dos jogadores. Perdemos nove ou dez machucados. Fomos mal no primeiro turno do Brasileiro. E não conseguimos nos recuperar. Infelizmente. Veio o rebaixamento. No Brasil caem quatro times. Basta uma série de jogos ruins. O Fluminense não foi campeão em um ano e caiu no outro? Só não foi rebaixado por causa da história da Portuguesa. Qual foi a real participação do Felipão na queda. E por que não houve a chance de reverter a queda do Palmeiras? Como foi a demissão? Vou falar a verdade. O Felipão foi desanimando. A cada derrota, ele perdia força. Ficou profundamente abatido. Ninguém mais reagia às suas broncas, suas cobranças. Ele foi se entregando. Ele mesmo não acreditava na salvação do time. Os jogadores não acreditavam mais no que o Felipão falava. Demorei para mandá-lo embora porque acreditava no seu currículo, no que tinha feito no futebol. Fora a multa. Fui com ele até onde deu. Porra, era o Felipão, campeão do mundo! Ele sabe disso. Quando troquei, trouxe o Kleina, infelizmente percebi que era tarde.

Mas Tirone, como é que no dia seguinte ao rebaixamento você vai tomar sol no Leblon? Pareceu um descaso indisculpável... Rímoli...Vou explicar. Eu tinha um compromisso no Rio de Janeiro logo após o rebaixamento. Tenho pressão alta. A minha disparou chegou a vinte por não sei quanto. Fiquei uma pilha de nervos. Minha mulher ficou assustada. E insistiu que eu fosse tomar um banho de mar para me tranquilizar. Fiquei dez, 15 minutos na praia. E mesmo assim não parei de atender a imprensa. Na minha famosa foto com o celular na praia, eu estava falando com o Fred Júnior da rádio Jovem Pan. Nem acreditei quando a fotografia foi divulgada. Eu estava arrasado, quase explodindo com pressão alta e as pessoas até hoje pensam que eu não estava nem aí. É uma enorme injustiça. Tirone, você é acusado pelo Paulo Nobre de ter deixado o clube em sérias dificuldades financeiras. Haver feito empréstimos, adiantamentos. Esse foi o motivo, segundo ele, para ter colocado dinheiro do bolso no clube. É verdade? Vamos por partes. Eu, o Roberto Frizzo (vice presidente) e um amigo, homem de finanças do Bradesco, tomamos um susto quando assumi o Palmeiras. O Belluzzo havia deixado R$ 175 milhões em dívidas. Feitos adiantamentos de 75% do que eu teria a receber da tevê, por exemplo. Me desdobrei, fiz o impossível e salário nunca atrasou no clube. Nem para funcionários ou jogadores. Adiantei cotas da tevê, sim. Mas dinheiro que era do Palmeiras. É como se você, Rímoli, viajasse para o Exterior e gastasse R$ 15 mil em cartão de crédito. O dinheiro é seu. Você pagará no futuro, contando com seu salário. Foi o que fiz. Usei dinheiro do Palmeiras. O Nobre, não. Ele pegou dinheiro emprestado no nome dele. Buscou dinheiro que não era do clube. Isso é muito pior. Como você deixou financeiramente o Palmeiras? Qual é a atual situação com o Paulo Nobre? Deixei com R$ 215 milhões em dívidas. Sofri horrores com o Comitê de Orientação Fiscal. Minhas contas eram rejeitadas. Muita gente trabalhou contra mim. Daí assume o Paulo Nobre, passa a ter um déficit de R$ 5 milhões por mês, faz as dívidas do Palmeiras passar dos R$ 300 milhões, e suas contas são aprovadas. O Palmeiras deve hoje mais de R$ 300 milhões e todo mundo acha normal.

Você chegou a oferecer a Kia como patrocinadora master da camisa do clube no centenário e o Paulo Nobre não quis. Sei que os valores eram perto de R$ 10 milhões no ano. Ele preferiu não receber um centavo. Foi verdade. A opção foi dele. Era um dinheiro que poderia ajudar. Quantos clubes até hoje não têm patrocínio. Mas foi opção dele. Achou melhor seguir pedindo emprestado em nome do Palmeiras. Algo que não vou concordar nunca. Você não ficou muito isolado na presidência do Palmeiras? Não. Tinha gente interessada e apaixonada pelo clube ao meu lado. O meu erro foi não ter assessoria de imprensa. Demiti a que o Belluzzo mantinha e pagava R$ 8 mil. Decidi que eu mesmo mostraria aos jornalistas, aos palmeirenses a realidade do clube. Não é assim que funciona. Virei alvo fácil. O Paulo Nobre é que está certo. Pegou uma assessoria profissional, que trabalhou na MSI, no Clube dos 13, na Copa do Mundo. Por mais que erre, está protegido. Sua imagem está preservada. Bem ao contrário da minha...



Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 07 Mar 2015 09:52:24

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