Acabou a graça. O que era para ficar em segredo, foi vazado. Não por Tite. Se dependesse dele, os problemas ficariam internos. Ainda mais agora, no início da Libertadores, com o Corinthians mostrando o melhor futebol da competição. Mas seus auxiliares diretos não conseguiram se calar. Não quiseram. A opinião pública tinha de saber. Outra vez, Emerson Sheik traiu a confiança do treinador. Tite ouviu de forma clara de Roberto de Andrade em 2014. A diretoria não queria continuar com Sheik. Estava disposta a deixá-lo longe do Parque São Jorge. Mesmo se tivesse de pagar metade dos R$ 520 mil mensais até o final do contrato, em julho. Depois, adeus. Os motivos foram deixados claros por Mano Menezes. Sheik seria um péssimo exemplo ao restante do grupo. Com seus atrasos, sua pouca intensidade nos treinamentos, seus questionamentos aos técnicos, o desrespeito à hierarquia. E um item complicadíssimo: a escolha dos jogos que deseja atuar. O ex-presidente Mario Gobbi ficou horrorizado quando Mano expôs o que pensava do jogador. E tratou de despachá-lo, com todo o prazer, para o Botafogo no ano passado. E ficou combinado entre os dirigentes da situação, que havia acabado o ciclo de Sheik no Corinthians. O ex-presidente e mentor de Gobbi e Roberto de Andrade, Andrés Sanchez, havia sentenciado nas rádios, no final de 2014. "O Sheik deve procurar outro clube para jogar. Não há espaço para ele no Corinthians."
Só que surgiu Tite. O técnico que substituía Mano Menezes se apressou a ter uma longa conversa com Roberto de Andrade. E resumiu o que pensava em relação ao problemático atacante. "Comigo ele joga", garantiu o treinador. E fez questão que a diretoria o segurasse. Roberto de Andrade tentou argumentar que ele era caro e poderia outra vez prejudicar o grupo. O presidente se referia à temporada de 2013. O ano seguinte à conquista da Libertadores e do Mundial. O atacante nem parecia o atleta empenhado, comprometido de 2012. Só renovou contrato depois de Tite interceder, implorar por ele. Gobbi não queria mais dois anos de contrato para um jogador de 34 anos. Foi convencido diante da enorme insistência do técnico. Mas foi só ter o compromisso firmado: 24 meses recebendo R$ 520 mil e Sheik mudou. Seu desempenho se tornou pífio em campo. Perdeu velocidade, força física. Os atrasos voltaram. Era uma caricatura mal feita do atleta decisivo na Libertadores de 2012. Começou a ser substituído constantemente por Tite. Até que em uma partida contra o Coritiba, no Pacaembu, ao tirá-lo do jogo, Tite se levantou do banco para cumprimentá-lo. Emerson, irritado, fez que não enxergou. E passou direto. Temendo a repercussão no dia seguinte, no mesmo domingo foi a um restaurante de um amigo. Com a desculpa de fazer um gesto contra a discriminação sexual, Sheik e o dono do restaurante trocaram um beijo na boca. A cena foi fotografada. E Sheik a divulgou nas redes sociais. Conseguiu desviar o foco, mas ganhou o ódio do delegado Mario Gobbi e das organizadas. O presidente autorizou a entrada dos torcedores no Centro de Treinamento corintiano. As lideranças das maiores e mais violentas facções se sentaram com o atacante. Sheik foi repreendido aos gritos. E teve de jurar não ser homossexual. Um vexame que Gobbi colocou na conta de Tite.
Sem Gobbi e com Roberto de Andrade, muito mais próximo, mais amigo, o treinador corintiano resolveu colocar "uma pedra" nas falhas de Sheik em 2013. Ele já teria pago seus pecados com Mano e com o Botafogo. Sabia que teria sua última chance no Corinthians. Tendo a competição que o consagrou: a Libertadores. Tite apostava que a mistura Sheik e torcida corintiana no Itaquerão seria fantástica. Ele assumiria a alma do torcedor em campo. Brigando pela bola, catimbando rivais e árbitros. Foi assim contra o Once Caldas e diante do São Paulo. Duas vitórias incontestáveis, inspiradoras. Mas no meio do caminho há o inútil e obrigatório Campeonato Paulista. Se os jogadores e treinadores dos clubes grandes pudessem responder uma enquete anônima, 99% detestam os estaduais. Sabem que não levam a nada. São insignificantes. Mas eles são proibidos pelos comprometidos dirigentes a se manifestar contra os campeonatos. Por medo de retaliação da Globo e das federações. Esperto, vivido, Sheik não reclama. Porém sabe que, aos 36 anos, não tem condições de manter um alto nível de atuação neste estúpido calendário brasileiro. Os times classificados para a Libertadores são sacrificados com os estaduais. Tite precisa entrosar a equipe. Sonha que os atletas possam, de olhos fechados, saber onde estão os companheiros, dependendo de onde estiver a bola. No esquema escolhido para a temporada, o 4-1-4-1, a intensidade é tudo. Os jogadores precisam se desdobrar para atacar, defender, se deslocar, ser responsabilizados por faixas de campo. Um sacrifício para quem está no ocaso da carreira como Sheik. Apesar de estar na alça de mira por tudo o que já aprontou não só no Corinthians, como na carreira, Sheik voltou a bobear. "Deixar na reta", como confirma um conselheiro ligado à direção. Ele voltou a atrasar nos treinos.Desta vez não quis apelar para helicóptero, como fez no passado, para chegar na hora. Pior: também passou a sentir dores no joelho direito. Dores que dependem mais do diagnóstico do próprio jogador do que dos exames nos modernos aparelhos no Corinthians.
Daí, muita gente na Comissão Técnica, somou um mais um. E aposta que Sheik estaria se poupando para as partidas do Corinthians na Libertadores. E fugindo dos jogos do inútil Campeonato Paulista. Não atuou nos últimos três: Linense, Ituano e Mogi Mirim. A alegação do desconforto no joelho começou a incomodar. Ele chegou atrasado no treinamento de domingo. Mas disse que as dores haviam diminuído e acreditava que poderia jogar contra o San Lorenzo amanhã. Só que o preparador físico Fábio Mahseredjian se sentiu desrespeitado. E expôs a situação a Tite. O treinador concordou que a situação teria de acabar. Se levasse Sheik para o jogo da Libertadores poderia "perder o grupo". Jogadores sabem muito bem quando um companheiro foge de partida insignificante, se poupa para a importante. Já havia sim as suspeitas que o veterano atleta tem regalias com o técnico. Por isso, Tite deu um basta. E resolveu deixá-lo em São Paulo. Já que está reclamando de dores, que faça um reforço muscular intenso. Foi divulgado pelo clube que as dores o havia tirado do importante jogo da Libertadores. E ponto final. Mas pessoas próximas a Tite fizeram questão de expor a situação. Deixar claro que Sheik está outra vez abusando. Agindo de forma irresponsável. Uma pena, desperdício. Outra vez Sheik trai a confiança do treinador corintiano. Ele terá de mudar a formação que deu tão certo no início da Libertadores. Petros, Mendoza ou Vagner Love. Um dos três entrará no lugar de Emerson. Era fazer a mudança ou Tite perder a força diante dos seus atletas. Emerson poderia atuar pelo menos por um tempo na Argentina. Sheik ficou em São Paulo. E de novo está na marca do pênalti. Caso não pare com os atrasos, esteja pronto para atuar no insignificante Paulista, como os demais, as consequências poderão ser piores. Acabou, por fim, a paciência de Tite. O problemático atleta não está apenas jogando a sua renovação de contrato no lixo. Está arriscando a sua posição de titular, sua importância no grupo. Há muitos dirigentes corintianos cansados do jogador. Na Comissão Técnica também. Seu último defensor, desistiu. Tite não mais fechará os olhos para a indisciplina e inoportunas dores. Acabou sua dependência de Sheik. Cabe ao "esperto" Emerson entender. A situação é completamente ao contrário. Ele é quem depende de Tite para continuar no Corinthians...
Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 03 Mar 2015 11:50:19
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