Grêmio, Fluminense, Palmeiras e Corinthians. A todos esses clubes Ronaldinho Gaúcho teria sido oferecido depois de ter se despedido do Atlético Mineiro, no começo de julho. Antes, ainda em janeiro, o meia foi oferecido ao Orlando City, time norte-americano. O presidente do clube, o brasileiro Flávio Augusto, queria ídolos brasileiros. O desejava ao lado de Kaká. Mas logo desistiu. O motivo não foi a exigência de salários de R$ 1,2 milhão. Equipes árabes e japonesas tradicionais também não quiseram se arriscar. O problema crônico do talentoso jogador é o que todos estão cansados de saber. Os dirigentes não estão dispostos a bancar um atleta que não quer mais cumprir os deveres de sua profissão. Não vale ter toda a mídia se o exemplo de Ronaldinho Gaúcho é capaz de sabotar todo um elenco. Foi o que argumento Levir Culpi para acabar com o seu período de farra no Atlético Mineiro. Ao contrário do que aconteceu, quando chegou desmoralizado em 2012, Ronaldinho estava acomodado. Perdido, sem rumo. Sem vontade, preguiçoso. Cansado de ter de treinar, se concentrar, dar satisfação. Se fosse outro treinador, talvez o camisa 10 tivesse sobrevida em Belo Horizonte. Mas acontece que Levir Culpi foi contratado por Alexandre Kalil exatamente para impor a disciplina no time. Por ser amigo íntimo da família do jogador, Cuca foi poupado. O jogador conseguiu se controlar. Reconhecia que ele havia estendido a mão, o ajudado, depois que ninguém mais acreditava que sua carreira prosseguiria. Tantas foram as farras e confusões no Flamengo. Cuca conseguiu convencer o desperdício, a estupidez que o jogador estava cometendo. Havia a chance de vencer a Libertadores da América, o Mundial. O time do Atlético Mineiro era forte. Faltava uma referência técnica. Até para desviar a atenção da marcação adversária. E dar muito mais espaço aos demais jogadores. Em compensação, se o plano desse resultado, o atleta teria a chance de voltar à Seleção Brasileira. E disputar sua última Copa do Mundo. Cuca garantiu a ele, a Assis e a Kalil que o plano daria certo. E metade dele foi brilhante. O Atlético superou jogos inacreditáveis. Victor salvou, mas Ronaldinho e o restante da equipe cumpriram seu papel. Tendo como cúmplice a emocionante torcida atleticana e o alçapão do Independência. O clube chamou a atenção com o maior título da América do Sul. Cuca ficou todo orgulhoso quando falou a Felipão que Ronaldinho estava regenerado. E disposto a ser o líder da Seleção na Copa das Confederações e Copa do Mundo. Ele que o chamasse para ver. Scolari já não acreditava mais nele. Mas cedeu aos pedidos de Marin e de Marco Polo. Avisou que ambos se arrependeriam.
Felipão tinha uma seleção nova e não queria que Ronaldinho estragasse o grupo com suas farras. Bastaria cometer qualquer falha e não teria perdão, avisou a Marin. Scolari não teve de esperar. Logo na apresentação do último amistoso antes da Copa das Confederações. O jogo de abril de 2013 foi marcado em Belo Horizonte, no "quintal da casa" do meia. Mas ele conseguiu chegar 25 minutos atrasado na apresentação. Scolari mostrou a Marin que não adiantava. E como gesto final, deu a faixa de capitão a Ronaldinho Gaúcho contra o Chile. O meia havia percebido o que havia feito. Percebido a frieza do técnico. Sabia que tinha de jogar bem de qualquer maneira. Pressionado psicologicamente, foi mal demais. De nada adiantou a apaixonada torcida atleticana tentar empurrá-lo. Fechou as portas de vez na Seleção, na Copa das Confederações, na Copa do Mundo. Ao perceber isso, se desiludiu. As festas intermináveis nas suas folgas se intensificaram. O rendimento em campo não era mais o mesmo. O desgaste físico de noitadas sem dormir se refletiu nos músculos. Veio a contusão que o tirou dos gramados na parte final da preparação para o Mundial. Chegou no Marrocos como uma caricatura do grande jogador que Pep Guardiola esperava enfrentar com seu Bayern. Mas não pôde. O Atlético e Ronaldinho foram incompetentes para passar pelo marroquino Raja Casablanca. A partir daí, tudo se degringolou. Cuca saiu. Chegou o desorientado Paulo Autuori. Ronaldinho já tinha bloco de carnaval, cantava até o sol raiar, farreava. E o Atlético Mineiro sem forças, sem Bernard, mola propulsora do time de 2013. Os milagres de Victor não foram suficientes para o sonhado bi da América. Não com Ronaldinho andando em campo e não aceitando as substituições do disciplinador Levir Culpi.
Ele percebeu que o treinador não mais o queria. E muito menos ele queria continuar a treinar, se concentrar, obedecer calado as cobranças de Levir. Milionário há pelo menos dez anos, Ronaldinho decidiu que era hora de ir embora do Atlético. Assis o livrou de mais cinco meses de contrato. O irmão e empresário buscaria uma transação importante fora do mercado brasileiro. Os grandes clubes da Europa já haviam fechado as portas às farras de Ronaldinho há muito tempo. Restava a periferia do mundo do futebol. Estados Unidos e Ásia. Assis se inspirou no que fez Kaká. Vai para o Orlando City em 2015. E até o final do ano, ganha um bom salário e mantem a forma atuando pelo São Paulo, no pouco competitivo futebol brasileiro. A direção corintiana foi a única até agora a confirmar oficialmente que recebeu a proposta de ter o jogador. Mas a dor de cabeça que Adriano causou ainda não foi esquecida. Mario Gobbi não aceitou nem conversar. Assim como a eterna magoada direção gremista. A cúpula do Fluminense não se esqueceu que ele chegou a dormir com mulher na concentração do Flamengo. O Palmeiras já deve R$ 125 milhões ao seu presidente. Não tem dinheiro para nada no futebol. Tudo depende dos bolsos de Paulo Nobre. Ele pensou em fazer do jogador uma das pouquíssimas alegrias nesse triste ano do centenário. Mas Brunoro o fez mudar de ideia. Sabia que pagar R$ 1 milhão a Ronaldinho Gaúcho seria um escândalo. Arrebentaria toda sua filosofia de produtividade. Empresários importantes garantem que o Palmeiras aceitaria pagar R$ 200 mil ao meia por mês. Cinco vezes menos que ele recebia em Belo Horizonte. A conversa não evoluiu, lógico.
Ronaldinho Gaúcho não está nem um pouco preocupado. Aproveita o muito dinheiro que conseguiu com uma carreira fabulosa. Aos 34 anos desfruta cada dia e cada noite. Com todo o direito. Não está ligado a clube algum. Se algum clube brasileiro resolver gastar R$ 5 milhões até o final do ano, basta ligar a Assis. Se o telefone não tocar, talvez ele volte em 2015. Talvez. Depois de 15 anos de carreira, ele quer viver intensamente. E tem todo o direito. Não está sabotando os sonhos de uma diretoria, de um técnico, dos seus companheiros, de uma torcida. Ronaldo de Assis Moreira merece toda as festas que puder ir. Seu irmão e empresário Assis deve respeitar a sua vontade. Esquecer um pouco o dinheiro. E pensar em outro clube só em 2015. Evite recusas públicas que só desmoralizam quem já foi melhor jogador do mundo por duas vezes. Pentacampeão com a Seleção em 2002. Colecionou Champions League, Libertadores, Campeonato Espanhol, Italiano. Respeite uma das mais impressionantes carreiras. Mas que está no fim. Por total vontade daquele que deveria ser o maior interessado que ele continuasse: Ronaldinho Gaúcho...
Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 17 Aug 2014 11:17:46
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