quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Grêmio paga pelos gritos de macaco contra Aranha. Tem a imagem manchada em todo o mundo. Que empresa bancaria R$ 400 milhões para batizar seu estádio agora? Enquanto isso, o Fantástico espera pelo choro de Patricia Moreira da Silva...

O Grêmio paga pelos gritos de macaco contra Aranha. Tem a imagem manchada em todo o mundo. Que empresa bancaria R$ 400 milhões para batizar seu estádio agora? Enquanto isso, o Fantástico espera pelo choro de Patricia Moreira da Silva...




O presidente da Fifa, Joseph Blatter, aplaudiu. Ele não só vibrou pela exclusão do Grêmio por atos de racismo de parte de sua torcida. Fez questão de colocar no seu twitter. O presidente da Fifa tem mais de dois milhões, setecentos e sessenta e um mil seguidores espalhados pelo mundo. "Eu já disse que o futebol deve ser mais forte no combate ao racismo. O Brasil enviou a mensagem certa, banindo uma equipe da Copa devido a abuso de "torcedores"." O apoio da Fifa conta muito para a CBF. Blatter confirma publicamente a tendência de que tudo o que os "abusos" dos torcedores recaem sobre os clubes. Tese que os presidentes das equipes brasileiras repelem. Não querem pagar pelo que os membros principalmente das organizadas aprontam. Presidentes de clubes importantes paulistas, cariocas e mineiros ficaram revoltados com a pena ao Grêmio. Não por concordar com a atitude racistas de alguns. Mas por temer o futuro. Suspensões e eliminações por quem não conseguem controlar. O presidente Carlos Miguel Aidar do São Paulo quer unir os presidentes da Série A. E pressionar a CBF para que, quando os torcedores sejam identificados, só eles paguem. Mas não é essa a tese da Fifa. Se há nome, RG e CPF do vândalo ou racista, ele que pague para a sociedade, seja preso. Só que o clube não ficará isento de punição. É a maneira com que a Fifa acredita que os demais torcedores participem da repressão. E pensando em não prejudicar sua equipe, denunciem ou mesmo travem quem for contra a lei nas arquibancadas. Foi o que a torcida gremista fez no domingo passado. Mesmo com a acusação de racismo na quinta-feira passada, alguns membros da organizada começou com cantos racistas no arena do Grêmio no domingo. Era intervalo do jogo contra o Bahia. E lá estava de volta os gritos de "macacos imundos" para os rivais do Internacional. Eles foram calados pelos demais torcedores que o vaiavam, percebendo o mal que faziam ao clube que dizem amar. Foi uma atitude digna e decente. Mostrou que os racistas são minoria na minoria. Os membros das organizadas precisam perceber o enorme prejuízo que estão causando ao Grêmio. Por causa de alguns poucos, o clube corre o risco de ficar estigmatizado. Marcado como a equipe dos racistas no Brasil. O que não é verdade. A publicidade negativa internacional ao banimento do time da Copa do Brasil foi imensa. E não se restringiu ao Blatter. Jornais do mundo todo repercutiram o banimento. Contribuiu ainda mais o fato de a equipe ser treinada por Luiz Felipe Scolari, técnico do Brasil nas Copas de 2002 e 2014. As matérias sobre a exclusão do clube ou eram ilustradas por Felipão ou por Patricia Moreira da Silva, a torcedora flagrada gritando raivosa "macaco" para o goleiro Aranha do Santos. Uma brasileira branca, loura, enrolada com um cachecol do Grêmio ofendendo um jogador brasileiro negro. O peso das imagens podem afastar novos patrocinadores. Que empresa se animaria a pagar R$ 300, R$ 400 milhões para batizar o estádio onde aconteceu a atitude racista? O prejuízo ao clube gaúcho é muito maior do que a exclusão da Copa do Brasil. Sua imagem foi afetada nacionalmente e fora do Brasil..

O importante é que um ato de intolerância racial criminosa de poucos não possa contaminar todos os milhões de torcedores. Não pode haver ignorância para enfrentar ignorância. Os gremistas não podem ser perseguidos, xingados em estádios pelo Brasil. A atual geração cantava hinos racistas que aprendeu há décadas. Finalmente as pessoas passaram a escutar, a pensar na maldade estúpida das letras. Se o Grêmio oficialmente só teve seu primeiro jogador negro, Tesourinha, em 1952, foi um erro do passado. Desde então atletas como Ronaldinho Gaúcho, Everaldo, Zé Roberto, Dida e tantos outros negros se tornaram ídolos no estádio Olímpico. Tudo precisa estar muito bem separado. Patricia Moreira da Silva dará seu depoimento hoje. Terá de explicar porque resolveu chamar Aranha de macaco. Ela deverá ser punida criminalmente. Só Patricia e os poucos outros torcedores que estavam na Geral e imitavam gestos de símio para o jogador santista. Apenas eles, não toda a torcida gremista. É estupidez generalizar. Agora, na área esportiva, o Grêmio não terá apoio. A Fifa já deu respaldo à CBF. Blatter também deveria ter sido enérgico em relação a outros casos. A mais importante omissão aconteceu em Oruro, Bolívia, quando um sinalizador matou o garoto de 14 anos, Kevin Spada, no ano passado. O objeto que esfacelou seu cérebro partiu das organizadas do Corinthians. A punição foi branda demais em relação ao clube. Uma partida sem público e o "faz de conta". Torcedores "impedidos" de acompanhar partidas no campo adversário. Mentira deslavada, já que corintianos continuaram seguindo o time e até com camisas do clube e das principais organizadas.

Na área criminal, o desastre foi até maior. Doze membros das organizadas corintianas foram detidos. A esmo. Ficaram cerca de cinco meses em uma cadeia boliviana. Depois da pressão de políticos e até do ex-presidente Lula, todos foram soltos. Um menor, membro da Gaviões, se apresentou com o autor do disparo. Por não ter 18 anos, não foi preso. Havia a promessa de a organizada dar uma bolsa de estudos na faculdade que esse menor quisesse. Só por se apresentar à justiça. Os pais de Kevin Spada lamentam até hoje não só a perda do filho, mas ninguém ter castigado, preso pelo assassinato. Assassinatos, sim. Quando alguém leva um sinalizador a um estádio precisa saber que pode matar alguém. Os milhões de corintianos espalhados pelo país não podem ser chamados de assassinos. Assim como todo gremista não é racista. Daqui por diante, com o apoio da Fifa, os clubes brasileiros deverão pagar pelos erros dos seus torcedores. Tese que a direção do Grêmio não aceita com o apoio dos demais presidentes de grandes clubes do país. Mas é uma guerra inglória. A tendência é essa no mundo toco. Muitos podem alegar que a pena ao Grêmio foi branda demais. Porém foi histórica. Nunca desde que a CBF existe um clube foi banido de uma competição por racismo. E dos seus torcedores. O prejuízo à imagem do clube gaúcho já é imenso.

Patricia Moreira da Silva acaba de chegar para depor. Chorando, com óculos escuros, assustada com a repercussão do que fez. Ele ouvia populares gritando "racista, racista, racista". Entidade em defesa do negro protestava. Seu advogado, Alexandre Rossato, deixou escapar que ela está abalada psicologicamente. Mas falará para a imprensa. O lugar parece já estar escolhido: o Fantástico da TV Globo, no próximo domingo... Agora ninguém perdoa os gritos de "macaco" de Patricia. Só que anos e anos parte das organizadas gremistas cantou à vontade hinos racistas nos estádios de Porto Alegre. Acontece que o Brasil finalmente ouviu e entendeu as letras. Pior para o Grêmio que o mundo também parou para escutar...




Fonte: Esportes R7
Autor: cosmermoli
Publicado em: 04 Sep 2014 11:17:58
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